Os quatro anos da Lava Jato


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O INEDITISMO FOI CAPAZ DE SUPERAR ATÉ O CORPORATIVISMO DOS CORRUPTOS
Há quatro anos o Brasil ouve, quase que diariamente, a expressão lava jato. Nesse sábado, 17 de março, completou-se quatro anos que a primeira ação da Operação Lava Jato foi às ruas. De lá para cá, foram 49 fases da Operação que surpreenderam positivamente - fato raro - o Brasil. Quem imaginava ver magnatas, donos de grandes empreiteiras com operações no Brasil e no mundo, atrás das grades? Quem imaginava ver o presidente da Câmara dos Deputados preso? Quem imaginava um governador do Estado do Rio de Janeiro algemado? Quem imaginava ver um presidente da República em exercício ser acusado por duas vezes? Quem imaginava ver um ex-presidente da República condenado por um crime comum? Antes da Lava Jato, ninguém!
 
A Operação Lava Jato começou investigando o crime de lavagem de dinheiro e ganhou esse nome por causa de um posto de combustíveis em Brasília, pertencente ao doleiro Carlos Habib Chater. No local, funcionava uma loja de conveniência, uma lavanderia e uma casa de câmbio. Apesar de ser no DF, ficou sob responsabilidade da 13ª Vara Federal Criminal do Paraná, sediada em Curitiba e comandada pelo juiz federal Sérgio Moro, por causa da empresa Costa Global, sediada em Londrina (PR). A Operação investigava crimes de lavagem de dinheiro cometidos pelo doleiro Alberto Yossef, cujas conversas com Chater foram interceptadas, em favor da Costa Global, que pertencia ao ex-deputado federal José Janene (PP-SP), morto em 2010. A empresa era ligada ao ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa.
 
Descobriu-se então um complexo esquema de corrupção, envolvendo políticos e megaempresários, para sangrar a Petrobras. A estatal foi fatiada entre partidos políticos que cobravam propinas para o fechamento de contratos. As investigações avançaram: o esquema estava espalhado por praticamente todo o País, por praticamente todos os grandes contratos do governo federal. Praticamente nada passou imune às rapinas da República.
 
Em quatro anos, os acordos de delação premiada e leniência - expedientes até então incomuns na Justiça brasileira - já garantiram a devolução de R$ 1,9 bilhão, de um total de R$ 12 bilhões recuperados. Nesse período, a Lava Jato condenou 188 pessoas. Moro já proferiu 40 sentenças, entre elas, a do ex-presidente Lula. Os processos ainda caminham nas instâncias superiores, onde são julgados os réus com foro privilegiado, caso de deputados federais, senadores, governadores e o presidente Michel Temer - este último, se não tivesse sido salvo duas vezes pela Câmara Federal. Mesmo assim, é investigado em dois processos.
 
O ineditismo da Lava Jato foi capaz de superar até o corporativismo dos políticos corruptos. Foi golpeada, sim, mas permanece investigando e condenando os ladrões do povo brasileiro. 
 

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