A LUTA DA VEREADORA ERA, INCLUSIVE, PARA GARANTIR O DIREITO Dos idiotas da internet
As várias faces da execução da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco (PSol) expõem a podridão que há no abismo para o qual o Brasil foi lançado. A crise brasileira não é só econômica, política ou de segurança. A crise que domina o País é de valores. Comentários raivosos de ódio e preconceito rivalizam nas redes sociais com as manifestações de revolta e indignação com o absurdo crime registrado na última quinta-feira, no Centro da capital fluminense. Ignorantes tentam justificar a morte da ativista dos direitos humanos, com a alegação de que Marielle defendia bandidos. São argumentos rasos, tolos, disparatados, que trazem à tona o quão baixo é o conhecimento de grande parte dos imbecis que encontram na internet espaço para vomitar suas sandices. E o pior: encontram eco.
Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes foram executados por bandidos que, ao tudo indica, queriam calar uma voz atuante na luta pelos direitos básicos de uma civilização. Os direitos humanos são a base de uma sociedade. Garantem a todos nós a vida, a livre circulação, a manifestação de opiniões, a liberdade de imprensa, a defesa, o esclarecimento de crimes. Ao defender a elucidação de mortes em favelas do Rio, Marielle lutava pela garantia do estado de direito. Lutava contra a execução sumária, sem direito à defesa. Defendia a vida.
Argumentos fracos também dizem que Marielle é só mais uma vítima entre as milhares que morrem na guerra civil instaurada no Rio de Janeiro. Sim, centenas de policiais morreram em combate no ano passado; em 2018, já foram dezenas. Sim, civis morrem todos os dias vítimas de bandidos, que também morrem. Mas, não! Marielle não é apenas mais uma vítima, assim como nenhum policial e nenhum civil também não o são. A morte de Marielle tem aspectos políticos, tem a intenção de ameaçar e intimidar os corajosos brasileiros que vão às ruas lutar pelos diretos dos marginalizados, pelos diretos de todos nós. A luta de Marielle era, inclusive, para garantir o direito de imbecis se manifestarem nas redes sociais.
A revolução proporcionada pela internet para a comunicação entre as pessoas nos últimos anos é algo inimaginável há uma década. Ninguém poderia vislumbrar o que acontece nas inter-relações virtuais atualmente. Daí explica-se o desvario de muitos. Lambuzam-se com o doce como crianças. Ficam de luto pela morte do físico britânico Stephen Hawking, mesmo tendo ouvido falar dele apenas após sua morte. Comentam sobre tudo e sobre todos. Não, ninguém é obrigado saber e opinar sobre tudo. Calam-se! Como resumiu o grande filósofo italiano Umberto Eco, morto há dois anos: “As redes sociais deram voz aos imbecis”.
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