Elisa teve boa educação e viveu, com relativo conforto, na casa de uma tia que condoeu-se ao vê-la sozinha, após o acidente com seus pais. Quando moça feita, muito fina e muito bela tinha um só desejo: alçar-se socialmente e usufruir dos deleites ofertados pelo dinheiro. Ao se deparar com Eduardo, em um leilão de gado, viu nele a possibilidade de realizar seu sonho. Aquele jovem interessante era um dos mais disputados, no ambiente onde estavam. Daí para o casamento foi um passo. Foram morar na grandiosa fazenda, em parceria com sua mãe, já que seu pai havia falecido. Elisa realizou-se. Luxo e frivolidades povoaram sua vida. Provida de competentes serviçais, recebia muitos amigos com requinte e fartura. Com bebidas finas brindavam os encontros. A mesa, posta com galhardia, revelava o refinamento das reuniões, enriquecidas com o matizado das flores, colhidas ao frescor das manhãs, no próprio jardim. Após estes jantares, as mulheres reuniam-se, enquanto os homens jogavam cartas. Tudo num clima de amizade e amadorismo.
A sogra de Elisa mudara-se, pois tinha se casado, em segundas núpcias, com um fazendeiro milionário. Este lhe dera, de presente de casamento, uma gleba imensa de terras cultiváveis e pastos a perder de vista. Elisa era, então, a senhora da casa. Delirava de contentamento com a sua nova posição.
Qual não foi seu susto quando Eduardo lhe disse que precisaria vender todo o seu patrimônio, pois fizera planos que não se realizaram. Foram, apressadamente, para a cidade em situação de quase penúria, quando ela conheceu o lado triste da vida, sem glamour. Não foi por muito tempo, pois a mãe dele socorreu-o com a fazenda produtiva que ganhara. Elisa reconfortou-se, pois passou a receber novamente, frequentar festas, viajar para lugares exóticos, comprar joias e vestir-se com ostentação.
Em pouco tempo Eduardo dissipou a propriedade, preso que estava às mesas de jogo. O álcool lhe fazia companhia, enquanto apostava valiosas quantias.
Os dois filhos do casal, ainda crianças, testemunharam outra mudança, agora, para a casa da avó. E, assim, transcorria a vida de Elisa, ora sonho, ora pesadelo. Eduardo era afortunado, porque herdara avultados bens e, ao mesmo tempo, infelicitado ao perdê-los jogando, compulsivamente. Recebeu uma fortuna em terras, com a morte do padrasto, através da mãe, mas os credores, antigos amigos e frequentadores de sua casa, não lhe davam tréguas, extorquindo-lhe com juros altíssimos. A decadência dele era evidente. Incontrolável em sua dependência perdeu tudo, a última fazenda se fora e ele, desesperado, pôs fim à própria vida. Sua mãe acolheu a nora e os netos e, com o pouco que lhe sobrou, cuidou deles até o fim de seus dias.
Futilidades e riquezas não mais faziam parte da vida de Elisa. Não é todo sonho que se torna realidade.
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