Eu vi um menino buscar água no poço
O sol quente batia e derretia
Sua cabeça em miolos
O sol queimava seus pés descalços
Um descaso para poucos.
Quanto mais ele corria
Mais a água do balde caia
E aliviava os seus pés de desgosto.
Eu vi um homem sentado na praça
Qual a surpresa em ver o seu riso?
Não entendi qual era a graça
Daquele homem rindo sozinho.
Não sei se o riso era do homem
Ou se o homem era do riso
Só sei que o riso foi me dando fome
Vejo um codinome para esse paraíso.
O riso era tão grande
Que o homem enxergava com o riso
Seus olhos tinham um obscuro distante
Mas, ainda assim, o homem via colorido.
Meus pés estão descalços
A lembrar daquele menino
É que o sol agora bate forte
Joguem água com vontade
Quero atravessar esse chão destemido.
Algo acontece quando o sol se põe
Tenho um encontro com o inimigo
Não tem água no balde
Não tem o homem do riso
Sou eu mesmo comigo.
Algo acontece quando o sol se põe
Batam palmas para esse amigo
Quero esse calor que aquece o meu corpo
Sinto desabrochar em mim um sorriso.
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