Quem passa pela rua Thomaz Gonzaga no cruzamento com a Floriano Peixoto, no Centro da cidade, vê que metade da via está interditada. O motivo é a construção de um edifício de luxo ao lado. As obras que começaram há cerca de seis meses vêm preocupando moradores do entorno e gerando uma enxurrada de reclamações.
A principal queixa é quanto à segurança. Segundo dois moradores ouvidos pela reportagem, como a obra vem retirando terra do solo para fazer a fundação do prédio, ocorreram alguns desabamentos, dois deles atingiram parte das ruas Thomaz Gonzaga e Floriano Peixoto.
“Dá muito medo passar por ali. A rua já cedeu. As casas vizinhas estão condenadas. Tenho medo de que os problemas também cheguem à casa onde moram meus pais”, disse uma professora aposentada, que preferiu não se identificar. A casa fica a cerca de cem metros da obra e, segundo ela, já começa a apresentar rachaduras. “Não sei se há uma relação, mas estamos bem preocupados.”
Outra vizinha, que mora a uns duzentos metros da obra, também se queixa, mas é dos transtornos causados. “Eles, a toda hora, interditam o trânsito da rua. Não passa nenhum veículo. Eu preciso chegar ou sair de casa e não consigo. Tenho que esperar ou dar uma volta imensa”, disse a dona de casa.
Ela também reclama do barulho. “É uma constante. Mal conseguimos conversar aqui em casa.” Sobre a segurança, ela está receosa. “Não dá para sabermos a extensão dos danos que eles estão causando. A gente fica com medo mesmo.” Ela chegou a ligar para a Prefeitura em busca de informações, mas disse que não teve retorno.
O engenheiro responsável pela construção, Luiz Márcio Faleiros, garantiu que não há risco de novos desabamentos e negou qualquer irregularidade. Ele apresentou autorizações da Divisão de Trânsito da Prefeitura e um contrato com a Emdef (Empresa para o Desenvolvimento de Franca) para a realização das obras.
Faleiros explicou que, como a construção é de um prédio, é preciso fazer uma boa estrutura de fundação. “Para isso, tivemos que fazer o rebaixamento de um lençol freático que passava no local. Fechamos contrato com a Emdef para realizar os serviços em conjunto. Houve dois pequenos desabamentos que já estavam previstos, porque tivemos de mexer na estrutura do solo. Mas um, na Floriano Peixoto, já foi consertado. O outro, estamos em fase de finalização para também restaurar a rua”, disse.
Segundo ele, as obras de fundação ainda devem levar cerca de duas semanas para ficarem prontas. “Depois disso, o maior transtorno terá acabado.”
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