DORIA AGE COMO AUTÊNTICO POLÍTICO PARA GARANTIR CANDIDATURA AO GOVERNO
Se não se pode confiar nas palavras de uma pessoa, faça o acerto por escrito. A velha regra parece não ter valor nenhum para o pré-candidato ao governo do Estado de São Paulo pelo PSDB João Doria. Atual prefeito da capital paulista, o empresário que se apresenta como “não político” prometeu que cumpriria os quatros anos de mandato à frente da Prefeitura paulistana. Foi além, assinou um documento firmando o compromisso. Compromisso que acaba de ser rasgado. E mais: para Doria, “firmar um documento ou não firmar um documento têm o mesmo valor, independentemente de documento ou não”.
O PSDB realiza neste domingo as prévias no Estado de São Paulo para escolher o candidato do partido ao Palácio dos Bandeirantes. Disputam as eleições internas tucanas, além de João Doria; Alberto Mourão, prefeito da cidade de Praia Grande; Floriano Pesaro, secretário estadual de Desenvolvimento Social; José Aníbal, suplente de senador; e Luiz Felipe d’Avila, cientista político. O pleito será realizado neste domingo em todo o Estado, com votação em Franca, inclusive.
As manobras políticas do “não político” começaram na última segunda-feira. Em ato no diretório estadual, aliados do até agora prefeito entregaram o pedido de candidatura dele com 1.704 assinaturas de delegados tucanos - o dobro do necessário e quase metade do total. A intenção foi dar um ar de que Doria foi lançado candidato - não decidiu ser -, numa espécie de aclamação. O discurso foi repetido pelo próprio ao anular a importância do compromisso firmado por ele. “As circunstâncias sobretudo do meu partido determinam e impõem que eu dispute as eleições.” Foi mais direto em sua página pessoal no Facebook, na última segunda-feira: “Pessoal, não posso negar essa importante convocação. A maioria absoluta dos representantes e lideranças do meu partido fez esse chamado”.
Ato contínuo, aliados de Doria partiram à pressão para que o governador Geraldo Alckmin agisse para demover Pesaro e d’Avila, próximos ao presidente nacional do partido, das candidaturas nas prévias. Outra particularidade da eleição tucana é a cobrança de uma taxa de R$ 45 mil por candidato. Valor 50% maior que os R$ 30 mil cobrados em 2016, nas eleições municipais. De acordo com reportagem da agência de notícias Folhapress, internamente, tucanos avaliam a cobrança como uma forma de favorecer a candidatura de Doria, que possui um patrimônio declarado de R$ 180 milhões. A taxa só não seria problema, ainda segundo tucanos, para d’Avila, empresário e genro de Abilio Diniz.
A se levar em conta os atos de Doria e os relatos de membros do próprio partido, o “não político” é o exemplo mais fiel da velha política que afundou o Brasil.
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