Desesperança de uma nação


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A SETE MESES DAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS, O CENÁRIO É NEBULOSO
O que se vê nestes meses que antecedem as eleições presidenciais de outubro é um retrato fiel da desesperança que assola a população brasileira. Não há um favorito. Nenhum pré-candidato é capaz de empolgar os eleitores. Descrente, a nação calejada pelos constantes escândalos de corrupção não aposta em ninguém.
 
O PT insiste no nome de Luiz Inácio Lula da Silva. O ex-presidente que deve ser preso nos próximos dias, condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no caso do tríplex do Guarujá, que teria recebido como propina da empreiteira OAS. Em reunião no início desta semana, os comandantes do partido cogitaram em registrar o nome de Lula em agosto, mesmo que ele esteja atrás das grades, sob o fajuto argumento de que seria um preso político. Os petistas têm em Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo, um plano B. Mas como defender algum outro nome depois de levantarem a bandeira de que “eleição sem Lula é fraude”? O PT já não lidera a esquerda. O PCdoB aposta em Manuela D’Ávila para o Planalto. O PSol lançou a pré-candidatura de Guilherme Boulos, coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST).
 
No lado oposto, no PSDB, o presidente do partido e pré-candidato à Presidência, Geraldo Alckmin, demonstra não ter forças nem para controlar os correligionários. À revelia do governador paulista, o prefeito de São Paulo, João Doria, se lançou pré-candidato à sucessão de Alckmin. A candidatura tucana ao Palácio dos Bandeirantes já foi uma derrota ao governador, que pretendia apoiar seu vice, Márcio França (PSB). Teve de engolir um candidato dos quadros do PSDB e agora será pressionado pelo grupo de Doria a desarticular as prévias que escolherá o candidato do partido ao governo de São Paulo.
 
Ainda temos o atual presidente Michel Temer (MDB) tentando levantar uma agenda positiva, para preparar o terreno para uma provável candidatura. O problema foram as recentes “derrotas” na Justiça - a inclusão de seu nome na investigação sobre suposto repasse de R$ 10 milhões ao partido pela Odebrecht e a quebra de seu sigilo bancário. Não bastasse isso, o presidente ainda tem a concorrência de dois aliados. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (pelo próprio MDB), e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), se lançaram na disputa. Entre os pré-candidatos ainda aparecem os velhos políticos Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT) e Jair Bolsonaro (PSL). O último disputará sua primeira eleição presidencial e, com um discurso de extrema direita, aparece na ponta das pesquisas ao lado de Lula.
 
A sete meses das eleições, o cenário é nebuloso. O Brasil vive uma crise de identidade. A maioria da população não enxerga um líder em nenhum dos nomes lançados até agora. E uma nação sem líder está fadada ao fracasso.
 

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