Lembro-me bem que no final da década de sessenta quando uma determinada pessoa era diagnosticada com câncer, isso trazia enorme pesar no seio da família do paciente. Todos passavam a conviver com a dura e provável realidade da morte prematura do ente querido. O tabu, na época, em relação ao câncer, era de tal magnitude, que muitas pessoas, inclusive a minha saudosa mãe, se negavam a usar a expressão câncer, pois para muitos era sinônimo de morte e de mal agouro.
As esporádicas curas eram colocadas na conta de erro de diagnóstico ou de milagre. Prolongar a vida, com qualidade, era o que de melhor se podia fazer. Nesse período proliferou-se o uso de substâncias sem nenhuma comprovação científica de eficiência. Recordo que chegou a ser divulgado que o chá de casca de Ipê Roxo, era eficiente na cura da doença.
O fato é que os recursos no combate ao câncer eram poucos e de resultados imprevisíveis. Porém, no decorrer dos últimos 40 anos, a medicina passou a dispor de notáveis mecanismos para o diagnóstico precoce, além de medicamentos e práticas que se não curam a doença, pelo menos prolongam a vida do paciente. Dentre eles destaca-se o desenvolvimento da quimioterapia e da radioterapia. Assim, felizmente hoje o diagnóstico do câncer não pode ser mais considerado como uma sentença de morte.
Soma-se o salutar fato das autoridades e das principais entidades médicas divulgarem em campanhas periódicas, a importância da prevenção e do diagnóstico precoce. Duas delas, o ‘outubro rosa‘, que recomenda às mulheres a prevenção do câncer de mama, e, ainda, o ‘novembro azul‘, destinada ao público masculino, preconizando a prevenção do câncer de próstata, com a cumulação do exame laboratorial específico (PSA), com o exame clínico (toque retal), de forma periódica e sem preconceitos.
Também é recomendado evitar-se o tabagismo e o estresse, na medida do possível em um país com tantas desigualdades. Mas ainda é o diagnóstico precoce, o melhor tratamento. Já em termos de futuro, a engenharia genética é que deverá trazer novos alentos para a sua cura. É crer e torcer.
Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca
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