ESFREGAM EM NOSSAS CARAS A BENEVOLÊNCIA DAS NOSSAS LEIS
Há quase um ano os irmãos Batista trocaram as páginas de economia do noticiário nacional pelas páginas de polícia. Desde que o acordo de delação premiada de Joesley e Wesley com a Procuradoria Geral da República foi noticiada, os até então empresários de sucesso viram sua reputação despencar. Grande parte da população brasileira repugna os irmãos. Exemplo disso é o episódio do último domingo, em São Paulo. Wesley foi a uma renomada churrascaria da capital paulista almoçar, mas não esperava ser alvo da ira das pessoas que estavam no local. Teve de sair sob escolta policial. Na verdade, ele foi confundido com o irmão Joesley, que acabara de sair da cadeia. Mesmo apontada ao irmão errado, a ira da sociedade é sinal de que o “basta” foi dado; não assistiremos inertes a corruptos e corruptores esfregando em nossas caras a benevolência das leis brasileiras.
Os escândalos envolvendo os donos da J&F, que controla as marcas JBS e Friboi, entre outras, começaram com o acordo de delação, que envolviam ações controladas, incluindo a gravação do presidente Michel Temer (MDB). Joesley foi recebido pelo presidente da República, fora da agenda, na calada da noite. O empresário então gravou a conversa. Em uma das falas de Temer, entende-se que o emedebista diz que é para Joesley continuar a pagar pelo silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (MDB-RJ). Os políticos negaram a acusação e disseram que a conversa se deu em outro contexto. Mas a gravação rendeu um benevolente acordo de delação premiada aos irmãos Batista, que puderam se exilar em Nova York, com a anuência da PGR.
Meses depois veio à tona que os irmãos lucraram com a delação. Sabedores da turbulência que suas denúncias causariam no mercado financeiro, compraram dólares e venderam ações dias antes de a bomba estourar. Os criminosos confessos tiveram lucro, inclusive, na revelação de seus crimes. E cometeram novo crime: insider trading - uso de informações privilegiadas para manipular o mercado de ações. Como consequência, foram parar na prisão. Wesley foi solto em fevereiro. Joesley na última semana, após ficar exatos seis meses atrás das grades. A delação já foi revogada pela PGR. Nesse caso, porque um então membro da Procuradoria fez jogo duplo, auxiliando os empresários no fechamento do acordo.
O último ano dos irmãos Batista mostrou ao Brasil que não há limites nas relações criminosas entre políticos, funcionários públicos e inescrupulosos empresários. Joesley e Wesley criaram um império, ao que tudo indica, alicerçado na corrupção. Agora, ao deixarem a prisão, se vislumbravam retomar a vida como se nada tivesse acontecido. A população deu uma pequena mostra de que não ficará calada. A população gritou e gritará quantas vezes forem necessárias.
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