Se queres paz, arma-te para a guerra. Essa a ordem longeva, que parece ter ressuscitado na América do Norte. Pois a receita para evitar chacinas como a da Flórida, onde um ex-estudante matou dezessete alunos há algumas semanas, é fazer com que cada professor carregue uma arma. Carregue uma arma carregada, é claro.
Não é crível que a resposta à violência seja a incitação a maior violência. Mas é o que acontece quando o setor armamentista consegue convencer os impulsivos, os raivosos, os que ‘não levam desaforo para casa’, a investir ainda mais na fabricação desses instrumentos de morte. Sou radical em relação a isso. Arma não deveria sequer ser fabricada. Algo que existe para tirar a vida, não deveria existir.
Quem é que não enxerga a realidade evidente: os homicídios que chocam a população, o assassinato de várias pessoas ao mesmo tempo, as ‘balas perdidas’, tudo isso não existiria se houvera abolição da arma de fogo. O Brasil já se posicionou no tema. Votou o Estatuto do Desarmamento, ora sob ameaça. Como tudo o mais que é bom no País e que tende a ser mutilado ou a desaparecer.
Em lugar de se investir na estrita observância do Estatuto do Desarmamento, pretende-se liberar o uso de arma de fogo. Quantas vidas ceifadas ainda serão necessárias até que o discernimento prepondere e se faça uma grande apreensão de armas de fogo em nosso território?
Quem possui arma, dia mais, dia menos, vai usá-la. No mundo da ira, da violência, do desentendimento, do estranhamento e do egoísmo, quem carrega um revólver, pistola ou fuzil, é um potencial utente desse instrumento de matar. Surreal a proposta ianque: armemo-nos para a paz. O mundo não anda bem e a consciência dos governantes menos ainda.
José Renato Nalini
Secretário da Educação do Estado de São Paulo e docente da Uninove
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