Um ministério que dá trabalho


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Os escândalos envolvendo o Ministério do Trabalho parecem não ter fim 
Aparentemente os escândalos envolvendo o Ministério do Trabalho não têm fim. Desde dezembro do ano passado, a pasta é palco de uma sucessão de episódios que envergonham e indignam o País e expõem a podridão da política brasileira. Para se manterem no poder, loteiam o governo e cargos estratégicos da União são lançados às mãos de incompetentes, ignorantes, moleques, no simplório mercado de troca por apoio político. Em qual lugar do mundo, a não ser no Brasil, uma pessoa de 19 anos, recém-saída do ensino médio, teria condições de controlar um orçamento de quase meio bilhão de reais?
 
Em um novo capítulo da vergonhosa trama do Ministério do Trabalho, um moleque de 19 anos - indicado ao cargo politicamente - foi alçado a um cargo com o poder de decidir o futuro de quase R$ 500 milhões. O garoto foi contratado por um salário de pouco mais de R$ 5 mil para uma função mediana. Do “nada”, pouco tempo depois de assumir o cargo, foi promovido. A importância da função teve crescimento exponencial; os vencimentos continuaram os mesmos. Entre as primeiras decisões do menino de meio bilhão de reais, estava a assinatura de um contrato engavetado por funcionários de carreira, que viam irregularidades no processo.
 
O Ministério do Trabalho é o mesmo que está sem um comandante há três meses. O primeiro indicado à pasta, o deputado Pedro Fernandes (PTB-MA), foi barrado por José Sarney. Então o presidente do PTB, que é o dono da cadeira, Roberto Jefferson, indicou a própria filha ao posto, a deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ). Tornaram-se públicos, após a aceitação do presidente Michel Temer (MDB), processos trabalhistas contra a então futura ministra do Trabalho. Arrastou-se um processo na Justiça, em meio a um festival de trapalhadas, que culminou na desistência do partido de indicar a filha de Roberto Jefferson.
 
O futuro ministro deve ser nomeado nos próximos dias, quando Temer fará a reforma ministerial, forçado pelo calendário eleitoral - os candidatos em outubro devem já se afastar dos cargos no governo. Assim, quem colocou um menino em importante função deve deixar de decidir. O moleque do meio bilhão de reais é filho de um candidato derrotado nas eleições municipais de 2016, sua mãe é doméstica, beneficiária do Bolsa Família. Sua nomeação é tão ridícula que o próprio Jefferson a criticou. Por alguns poucos votos, o colocaram no Ministério. Para liberar, suspeitamente, verba não indicada, o alçaram a cargo importante. Para manter um governo com inéditas taxas de rejeição, Temer expõe o Brasil e os brasileiros a isso.

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