APARATO PROFISSIONAL, MONTADO HÁ 8 ANOS, COLOCA O BRASIL NA VANGUARDA
Se já era grande o temor com a disseminação pelas redes sociais das notícias mentirosas - as famosas fake news - nas eleições deste ano, uma revelação nessa sexta-feira deve colocar as autoridades brasileiras em alerta máximo. De acordo com reportagem da BBC Brasil publicada ontem, perfis falsos no Twitter e no finado Orkut, além do blog de um autor que nunca existiu, atuaram no pleito de 2010. Quatro pessoas teriam sido contratadas por uma agência de marketing para desmentir boatos que denegriam a imagem da então candidata Dilma Rousseff (PT) e atacar adversários, com posts desabonadores. Entre as ações, emergiu a difusão de falsas notícias. A descoberta da estratégia utilizada em uma época em que as redes sociais ainda engatinhavam no Brasil - o Facebook não era nem sombra do que se tornou atualmente - é perturbadora.
Há dois anos, o mundo assistiu abismado às notícias durante a campanha presidencial americana de que falsos perfis teriam sido criados para atacar a candidata democrata Hillary Clinton e favorecer o republicano Donald Trump, com o patrocínio da Rússia. A falsidade dos perfis foi comprovada, já a influência russa gera debates até hoje nos Estados Unidos. Na prática, o favoritismo de Hillary foi derrotado por Trump.
Mas, o Brasil está na vanguarda da mentira na internet. A BBC apurou que os contratados teriam recebido entre R$ 3,5 mil e R$ 4 mil por mês, entre maio e outubro de 2010, para agirem nas redes sociais. A reportagem escancara um aparato profissional, montado há oito anos, que coloca o Brasil no pioneirismo da divulgação de fake news.
As histórias mentirosas propagadas pelas redes sociais têm ingredientes que atraem a todos - se assemelham muito aos boatos, às fofocas -, são saborosas e, ao mesmo tempo, perigosas. E, por mais que nossas autoridades tentem meios de combater as fake news, cabe a nós não compartilhá-las. Para não nos transformarmos em propagadores de mentiras, temos de duvidar de tudo, checar se a notícia foi publicada por sites tradicionais da imprensa, checar se a fonte é confiável e se não há interesse naquilo que ela está divulgando. Até mesmo políticos e sites que se dizem jornalísticos divulgam fake news para prejudicar adversários. Exemplos surgem toda a semana, inclusive em Franca.
Se não checarmos a veracidade das informações, podemos correr o risco de compartilhar notícias como a de que o “Vaticano estuda excomungar José Serra (PSDB)”, mentira criada em 2010, quando o tucano era adversário de Dilma. Ela, que saiu vitoriosa no pleito, nega qualquer envolvimento com o caso.
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