Apesar de hoje a maioria da população do planeta se comunicar por celulares que cabem na palma da mão, em sua origem o aparelho era bem maior e diferente. Vamos voltar no tempo.
No dia 10 de março de 1876, acontecia a primeira bem-sucedida transmissão elétrica de voz por um aparelho. O criador da maravilha que seria continuamente aperfeiçoada foi o cientista Alexander Graham Bell. Foi ele quem batizou o aparelho com o nome “telefone” - significando “voz distante”.
A invenção do telefone está entre os principais feitos da ciência e da tecnologia do século XIX. Este foi o tempo das importantes pesquisas em torno dos fenômenos relacionados com a eletricidade.
Para ser fiel à história, é preciso registrar que antes de Graham Bell conseguir definir o primeiro modelo do telefone, outras tentativas para chegar ao mesmo resultado já haviam sido feitas. O alemão Johann Philipp Reis tinha realizado pesquisas em busca de modelo para comunicação oral à distância. Mas não conseguiu o mesmo êxito de Bell.
Depois de Reis veio Elisha Gray, engenheiro eletricista que quase chegou junto com Bell. Mas este, ao saber que Gray desenvolvia pesquisas muito parecidas com a suas, correu contra o tempo para patentear o seu invento. Patentear é registrar uma invenção com o nome de seu criador. Isso ocorreu em 14 de fevereiro de 1876. De posse da patente, Graham Bell pôde prosseguir com suas pesquisas. E completar o que faltava na composição do telefone.
E não é que o Brasil teve papel curioso nessa história? Acontece que Dom Pedro, o segundo imperador do país, participou por esta época da famosa “Exposição Centenária” em Filadelfia. A Exposição era evento que comemorava os 100 anos de independência dos Estados Unidos. Havia muitos inventores expondo seus inventos. E Graham Bell era um deles. D. Pedro II, pessoa culta, curiosa e inteligente, não apenas viu o telefone e conversou com seu inventor, como também participou diretamente da demonstração do aparelho em público.
Os dois foram para um campo aberto, ficaram a uma distância de 150 metros um do outro. Bell colocou a boca no aparelho e declamou para o imperador um verso de Shakespeare ( o maior escritor em língua inglesa): “to be or not to be?” (Ser ou não ser?). D. Pedro II ouviu no outro aparelho e respondeu: “Meu Deus, isso fala!”.
Notinhas
1. Concorriam como invenções na “Exposição Centenária de Filadélfia” a lâmpada elétrica, o telégrafo musical, a máquina de escrever, o molho de mostarda Heinz- dentre dezenas de outras.
2. O interesse de Dom Pedro ll pelo telefone alavancou a invenção de Bell, pois o imperador do Brasil era um governante de prestígio.
3. O Brasil foi o segundo país do mundo a ter telefone; Dom Pedro instalou um aparelho em sua residência no Rio de Janeiro.
4. A primeira linha no Brasil ligava a residência imperial ao prédio onde os ministros despachavam
5. Uma réplica deste primeiro aparelho se encontra no Museu das Telecomunicações, no Rio.
6. Em 1879 foi montada a primeira central telefônica no Rio, para atender ao grande número de cariocas que queriam ter aquele aparelho em suas casas.
7. Desde o início foram contratadas mulheres para fazer a ligação de um aparelho a outro, porque nada era automático; elas ficavam na central telefônica aguardando as chamadas para completá-las.
8. E por muito tempo foi assim; uma ligação de Franca para São Paulo, nos anos 1950, às vezes demorava mais de uma hora para ser completada!
9. Hoje nos comunicamos imediatamente com pessoas que estão do outro lado do mundo.
10. Já pensou como será a comunicação daqui a 50 anos?
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.