Ainda há muito o que avançar


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O simples fato de existir um dia para marcar a luta pela igualdade de gêneros demonstra que ainda há muito há ser feito para diminuir as diferenças na garantia de direitos entre homens e mulheres. O Dia Internacional das Mulheres, instituído pela Organização das Nações Unidas, em 1975, relembra a luta de operárias americanas mortas durante incêndio em uma fábrica no início do século passado. Em pouco mais de cem anos, muita coisa mudou. A realidade é completamente outra. Mas, todo esse tempo, não foi suficiente para extinguir o abismo que, outrora, relegava as mulheres às margens da sociedade extremamente machistas. Os avanços foram enormes, mas a diferença persiste em diminui-las. 
 
Em um século, as mulheres conquistaram o direito à educação, ao voto, ao trabalho. As mulheres conquistaram o direito de pertencer à sociedade. Hoje elas estão por todos os setores da economia. Produzem, desenvolvem, planejam, comandam. Disputam com o sexo masculino os mais altos cargos das mais importantes corporações. São guerreiras que quebram barreiras, dia após dia, hora após hora, minuto a minuto, em busca do simples direito de ser humano.
 
Foi o acesso à educação que possibilitou a evolução das mulheres no mercado de trabalho. Segundo o relatório “Perspectivas sociais e do emprego no mundo: Chamada global sobre as tendências do emprego feminino 2018”, da OIT (Organização Internacional do Trabalho), os avanços conquistados nas últimas duas décadas “podem ser atribuídos às conquistas acadêmicas das mulheres”. Em Franca, a professora do Colégio Agrícola Joana D’Arc Félix Sousa personifica essa constatação. Desafiou a tudo e a todos, para ser eleita a personalidade do ano, pelo jornal O Globo, por suas pesquisas científicas.
 
Educação e coragem fizeram as mulheres galgarem espaços em ambientes tipicamente machistas. Também em Franca, temos os exemplos da soldado PM Mônica Careta e da cabo PM Flávia Fernandes. Histórias diferentes que se cruzam pela paixão pela Polícia Militar. A cabo Flávia é a primeira e única, até agora, a atuar no Canil da PM de Franca. A segunda atua nas ruas da região Sul da cidade. A soldado Mônica deve ter chocado a muitos ao decidir que passaria uma temporada em São Paulo, longe do filho e do marido, para ingressar na Corporação. Venceu preconceitos dentro e fora do ambiente de trabalho para trabalhar naquilo que sempre quis. Já a cabo Flávia resume a atual realidade feminina: “Não me preocupo com o machismo, pois ele está em todos os lugares”.
 
Sim, está e deve ser enfrentado. Com competência e coragem. Os avanços desses mais de cem não devem e não podem ser perdidos. A OIT alerta que a evolução feminina no mercado de trabalho nos países emergentes está estagnada e tende a retroceder nos próximos anos. A discussão parece ser antiga, ultrapassada, mas a realidade é que a luta das mulheres do século XXI é a mesma das heroínas de 1911.
 

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