NOSSA ECONOMIA DEPENDE AINDA DE PROFUNDAS E ESTRUTURANTES REFORMAS
O PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil avançou 1% no ano passado. Após dois anos de quedas consecutivas - e repetidas - de 3,5%, a economia brasileira voltou a crescer. Foi tudo muito timidamente - abaixo, inclusive, das expectativas do mercado, que projetava 1,1% -, mas a riqueza do País avançou. Avanço este que garantiu a nós, brasileiros, voltarmos à realidade de 2011. Um mísero passo à frente para, paradoxalmente, chegarmos ao que já que havíamos conquistado há oito anos.
A recessão histórica vivida pelo País, a partir de meados de 2014 e arrastada até 2016, afogou-nos na lama podre que sobrou nas profundezas do poço de nossa economia. Nunca o brasileiro sofreu tanto em termos financeiros. As desastradas medidas tomadas pela petista Dilma Rousseff, os escândalos de corrupção e a crise política, que culminou no impeachment da presidente, levaram-nos ao caos. Tiraram de cada um de nós as conquistas alcançadas na primeira década deste século. O Brasil crescia solidamente, vivia uma situação de pleno emprego e testemunhava a ascensão da classe média. O progresso, consolidado ao longo de duas décadas - a partir do Plano Real, em 1994 -, começou a ir ralo abaixo no último ano do primeiro mandato da pupila do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em 2017, juntos, todos os setores da economia brasileira geraram R$ 6,6 trilhões, em valores correntes. Os dados divulgados nessa quinta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) apontam para a agricultura como o motor propulsor do País. Sem ela, o crescimento do PIB seria de apenas 0,3%. O agronegócio brasileiro, no ano passado, apresentou números de causar inveja a qualquer chinês. A safra recorde garantiu a expansão de 13% no setor - a maior da série histórica, iniciada em 1996. No ano passado, o Brasil teve uma supersafra de soja, com aumento de 19,4%, e de milho, que disparou 55,2%. O setor de serviços, responsável pela maior fatia do bolo total do PIB, cresceu apenas 0,3% no ano passado, com destaques para comércio e atividades imobiliárias. A indústria permaneceu parada na mesma situação de 2016 - não cresceu nem encolheu. A estagnação, porém, tem um viés positivo, já que o setor vinha de três anos em queda.
Alheios a dados, índices e porcentagens, os brasileiros veem o número do desemprego atingir patamares estratosféricos, com 12,7 milhões de pessoas sem um posto de trabalho. O cidadão comum espera que essa leve melhora se consolide e reflita na recuperação de seu poder de compra, de sua qualidade de vida. Nossa economia depende ainda de profundas e estruturantes reformas, depende dos políticos. Mas, aparentemente, as necessárias medidas impopulares estão longe do radar de nossos governantes, preocupados com as eleições de outubro.
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