O cabeleireiro Wagner Pires trabalha em um salão na rua Diogo Feijó, na Praça da Estação, há cinco anos. Nos últimos dias, se viu no centro de uma polêmica por conta de uma atitude que ele acreditava ter sido nobre. Ele foi o autor da pintura do coreto na cor vermelha e com frases como “Jesus te ama”, “Felizcidade” e “Fé”. Contou com a ajuda de moradores de rua para realizar o serviço no domingo.
A construção foi tombada como patrimônio histórico em outubro 2008. Nenhuma intervenção que altere as características originais pode ser feita. Wagner disse que sua intenção foi dar um novo visual para o local, que estava abandonado e precisando de reparos. “A sujeira era muito grande. O cheiro de cigarro de maconha, de urina e fezes era muito forte. Fico triste com esta situação. A vizinhança sempre reclama do abandono. Queria deixar um ambiente mais agradável.”
Wagner afirmou não saber que era preciso de autorização dos órgãos competentes para realizar qualquer intervenção no coreto. “Para falar a verdade, por ser leigo no assunto, eu nem sabia o que é algo tombado. Acredito que a maioria dos brasileiros não está a par disso, pois nas escolas públicas não se coloca esta pauta de deveres e valores. Fiquei triste com as pessoas que me chamaram de vândalo, pois sou trabalhador desde os 9 anos. Eu repugno qualquer ato de vandalismo.”
O cabeleireiro contou que recebeu uma ajuda inesperada para pintar a construção no domingo. “Alguns moradores de rua me viram trabalhando, se comoveram e ofereceram para me ajudar. Estava chovendo, mas isso não impediu a gente de fazer o serviço. Pegamos com um balde a água da chuva que caía da bica da banca da Estação e fomos lavando. No dia seguinte, as crianças estavam brincando no coreto e eu fiquei muito feliz de ter feito parte deste momento.”
Terça-feira, equipes da Secretaria de Serviços começaram a repintar o coreto em tom de pêssego nos moldes que se encontrava anteriormente. As paredes amanheceram pichadas ontem.
A Prefeitura informou que, quem pretende realizar algum serviço ou firmar parceria com o município, precisa solicitar a autorização por meio de protocolo. Em, seguida, o setor competente vai avaliar a possibilidade.
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