O Brasil dos desalentados


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PALAVRA É USADA PARA CLASSIFICAR QUEM DESISTIU DE PROCURAR UM EMPREGO
Se há uma categoria de cidadãos que mais bem expressa o sentimento dos brasileiros com a atual conjuntura econômica vivida pelo País são os desalentados. A palavra é usada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) para classificar as pessoas que desistiram de procurar um emprego. Apesar de o Brasil estar saindo - a lentíssimos passos - da maior recessão de sua história, esse grupo desistiu de lutar por uma vaga no mercado de trabalho, justamente porque outras centenas de milhares de pessoas foram lançadas às ruas com o aumento do desemprego decorrente da crise. O resultado foi que o número de desalentados dobrou em cinco anos.
 
Os dados fazem parte da Pnad Contínua, divulgada na última sexta-feira pelo IGBE. De acordo com a pesquisa, 2017 terminou com 4,3 milhões de brasileiros em situação de desalento. O número é o maior da série histórica, iniciada em 2012, quando o País possuía 1,9 milhão de desalentados. Fazem parte deste grupo que desistiu de trabalhar, desistiu de lutar por seu próprio sustento, jovens e idosos, em sua maioria. Eles estão nos extremos das faixas etárias que formam a força de trabalho. Os números provam que os brasileiros iniciam a vida profissional sem nenhuma esperança, nenhum alento, e a terminam da mesma forma.
 
Outro dado da Pnad Contínua que reflete a grave crise brasileira é o número de subempregados. Na média do ano passado, 26,5 milhões de brasileiros tiveram sua força de trabalho subutilizada, o que corresponde a uma taxa anual média de 23,8%. O grupo dos subempregados, segundo o IBGE, é formado pelos trabalhadores desocupados, os subocupados - com jornadas inferiores a 40 horas semanais - e as pessoas que fazem parte da força potencial de trabalho. Na ponta de todos esses dados, estão os desempregados - os brasileiros que tentam e não conseguem um emprego. A taxa média de desemprego em 2017 foi de 12,7% - a maior já registrada no Brasil.
 
Especialistas apontam que os números negativos devem crescer ainda mais neste ano. Acreditam que mais vagas de emprego serão abertas, porém, mais brasileiros tentarão um posto no mercado de trabalho, o que inflará o desempregado. A tendência é que, estimulados pela ligeira recuperação econômica e até mesmo pela condição de penúria que a situação em que atualmente se encontram impõe, os desalentados passem a buscar uma vaga de trabalho.
 
A expectativa desse grupo de brasileiros é galgar um degrau na triste escala de nomenclaturas impostas pelas pesquisas. Mas, mais que números e definições, o que nós brasileiros esperamos é a recuperação de nossa combalida economia e, consequentemente, de nossa qualidade de vida.
 

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