NÃO É ACEITÁVEL QUE BANDIDOS CONTINUEM A COMANDAR SEUS NEGÓCIOS DAS CADEIAS
O governo Michel Temer anunciou nessa segunda-feira o nome de Raul Jungmann para o comando do Ministério Extraordinário da Segurança Pública. Ministro da Defesa, Jungmann ganhou protagonismo nas discussões envolvendo a onda de violência no País, principalmente no Rio de Janeiro, e deve ser empossado no novo cargo na manhã desta terça. Há cerca de um mês o próprio ministro decretara a falência da segurança pública nacional. O problema é que o crime no Brasil age nacionalmente, com bases espalhadas por praticamente todos os Estados, enquanto a segurança é responsabilidade de cada unidade da Federação. Na maioria das vezes, as ações se findam nas fronteiras dos Estados, numa estúpida falta de operações interligadas, com uso da inteligência, no combate ao crime altamente organizado e com um poder bélico infinitamente maior que o das nossas polícias.
E é justamente para interligar as ações estaduais que o Ministério da Segurança Pública foi criado. Ficará sob responsabilidade do novo ministro a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, a Secretaria Nacional da Segurança Pública (que engloba a Força Nacional) e o Departamento Penitenciário Nacional. Todos eram subordinados ao Ministério da Justiça. Jungmann atuará junto aos governadores articulando ações conjuntas das forças federais e estaduais para combater a criminalidade. “Esse ministério vai coordenar a área de inteligência, porque também não basta colocar policial na rua com fuzil, precisa desbaratar o crime organizado”, disse o presidente Temer, em entrevista à rádio Bandeirantes, na semana passada.
O novo ministério surge uma semana depois da intervenção federal na área de segurança pública no Rio de Janeiro. Desde então, as ações policiais no Estado são coordenadas pelo governo federal, através de um interventor. As recentes medidas tomadas pelo governo tentam emplacar à imagem de Michel Temer uma figura dura, mais alinhada à direita, no combate à criminalidade. Ao se lançar nessa vereda de amplo apelo populista, o emedebista deixou de lado bandeiras impopulares. A reforma da Previdência, prioridade de Temer antes mesmo de assumir o Palácio do Planalto após o início do processo de impeachment de Dilma Rousseff (PT), morreu com a intervenção no Rio. Em períodos assim, nenhuma modificação pode ser feita na Constituição Federal. Mais providencial para as intenções eleitorais de Temer, impossível.
Agora, nos resta a esperança de que este novo ministério tenha efeitos práticos, não apenas eleitoreiros. Não é aceitável que bandidos continuem a comandar seus milionários e assassinos negócios de dentro de nossas cadeias. É preciso dar um basta. Que este Ministério seja a solução!
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