Leilão de deputados e partidos políticos


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É de causar náuseas a negociata entre os deputados federais e os partidos políticos. Às vésperas da janela de troca de legenda partidária sem prejuízo ao mandato, os parlamentares são alvo de propostas que giram entre R$ 1 milhão e R$ 2,5 milhões por seu “passe”. Os corredores e até mesmo o plenário da Câmara Federal virou um mercado em que os deputados são disputados como jogadores de futebol. Alguns até se orgulham disso. Não há ideologia em Brasília. O que manda é o dinheiro.
 
Se não há ideologia, fidelidade partidária é ilusão. A lei que determina as normas que regem a relação entre o político eleito e o partido foi afrouxada pela própria Justiça, ao desobrigar Presidente da República, governadores, senadores e prefeitos da regra. E, mais recentemente, os próprios parlamentares criaram - como no futebol - uma janela de transferências, em que o troca-troca é feito descaradamente, sem regras, sem pudor e, na maioria das vezes, apenas pelo dinheiro. Neste ano, este período começa no dia 8 de março e termina em 6 de abril.
 
O que se vê, às vésperas da abertura da janela, é uma corrida por futuros candidatos já com mandatos em Brasília. Em jogo, está a sobrevivência dos partidos. Com a proibição do financiamento privado, o fundo partidário tornou-se a maior fonte de recursos para as campanhas eleitorais. E o desempenho no pleito para a Câmara Federal é o que determina se a legenda terá direito ao fundo e qual será o tamanho da fatia do bolo. As velhas raposas atacam no Congresso em busca das caças mais gordas, com maior número de votos. Valdemar Costa Neto, um dos coordenadores do Mensalão, foi retirado da vida pública, mas não da política. Deputados narram que o líder do PR age profissionalmente, como um dos maiores caçadores de voto.
 
A realidade de Brasília, de nossa política, é deprimente. Vale tudo por dinheiro. As raposas duelam pela manutenção de suas boas vidas, seja com ou sem mandato. A corrupção nasce antes mesmo das eleições. E neste caso, é legalizada: durante os próximos dias, não será crime um deputado se vender. O sistema eleitoral brasileiro, criado pelos próprios políticos, privilegia os já detentores de mandatos eletivos, os transforma em “craques” disputados a preço de ouro. Se queremos mudar nossa realidade, é pela política que devemos começar. As regras das eleições são mudadas, praticamente, ano a ano. São, porém, alterações superficiais e repletas de brechas para garantir a manutenção no poder dos velhos políticos. Um País diferente, livre de corruptos e corruptores, depende de nós mesmos. A mudança só é possível através do voto. Enquanto continuarmos a eleger os velhos políticos, seguiremos a acordar todos os dias com um novo escândalo de corrupção estampado em nossos noticiários. O atual sistema é podre. Devemos extirpá-lo.
 

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