Ensina o Espiritismo que não somos um corpo que tem um espírito e, sim, um espírito, que vive temporariamente num corpo. A essência do ser é, portanto, a alma, ou espírito, como queiram, a qual usa o corpo como instrumento para manifestar-se no mundo físico. Entre o espírito que somos e o corpo que habitamos, há um laço intermediário a que denominamos perispírito. A alma pensa, o perispírito veicula o pensamento e o corpo age. Como se vê, somos uma trindade num só indivíduo, exatamente como pensava o padre Teillard de Chardin, quando se empenhou na defesa do evolucionismo darwiniano, que contrariava a doutrina do mero criacionismo.
Atualmente, a neurociência, que estuda o funcionamento do cérebro, procura saber qual é o nosso corpo, já que experiências várias demonstraram que ele pode ser projetado e acionado com recursos da terceira dimensão. É o que nos diz a neurocientista Suzana Herculano-Houzel, (caderno ‘Equilíbrio’, Folha de S. Paulo, de 24/10/17) que, contudo, apenas continua sustentando que o cérebro governa o corpo, sem considerar a essência espiritual, da qual é instrumento para manifestar-se.
Se, como diz a colunista, nosso cérebro considera como seu corpo o arcabouço físico que ele comanda, isso é muito pouco diante da necessidade de tão pequeno esforço da ciência no rumo da tão grandiosa dimensão, onde realmente está o elemento essencial que pensa, já pensava antes e continuará pensando eternamente, e que, desde há muito, é fundamento da Doutrina Espírita.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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