A garantia de segurança da ‘América’ foi executada junto de 17 pessoas
A escalada da violência no Brasil, agravada pela profunda crise econômica que assolou o país nos últimos anos, impulsionou o movimento migratório de brasileiros para os Estados Unidos. Uma das regiões preferida é a Flórida, cujo clima é semelhante ao brasileiro e a presença hispânica é mais intensa - a adaptação é mais fácil. Miami e as demais cidades do Estado no extremo sul americano é o paraíso de prosperidade e tranquilidade para os mais abastados cidadãos tupiniquins cansados - ou envergonhados, ou despreocupados - com as mazelas no Atlântico Sul. Era o paraíso. A garantia de segurança da “América” foi executada junto de 17 pessoas na escola de ensino médio em Parkland.
A tragédia na cidade a menos de uma hora de distância de Miami abalou o sonho americano de algumas centenas de famílias do Brasil que vivem na Flórida. Entre os alunos da Marjory Stoneman Douglas, algumas dezenas de brasileiros. Fugiram de bandidos que furtam, ameaçam, roubam, agridem, matam. Toparam com marginal que invade escolas, armado, e provoca um massacre. A Flórida abriga a terceira maior comunidade brasileira nos EUA. No palco dos assassinatos em série, estudam cerca de 50 migrantes do Brasil.
No último dia 14, o ex-aluno Nikolas Cruz, de 19 anos, expulso da escola por questões disciplinares, invadiu o colégio com um rifle AR-15. Matou 15 estudantes e dois professores. Foi preso horas depois em uma cidade vizinha. O massacre é permeado de episódios que denotam falhas na segurança dos Estados Unidos. A começar pela polêmica garantia de se ter uma arma. O rapaz de 19 anos não pode ingerir bebida alcoólica, segundo as leis da Flórida, mas lhe é garantido o direito de ter uma arma. Arma que matou 17 pessoas. A polêmica sobre o assunto é enorme na “América”, mas o lobby das empresas fabricantes é ainda maior.
Entre as falhas está o aviso sobre postagens de Cruz em redes sociais ignorado pelo FBI, a polícia federal americana. Em setembro do ano passado, um caçador de recompensas denunciou à polícia um adolescente que havia postado o comentário “Serei um atirador profissional de escola”, em um vídeo no Youtube. O FBI nada fez. Mas Nikolas Cruz, sim... Quem nada fez também foi um policial do colégio. Vídeo divulgado no final desta semana mostra o agente inerte ao ataque do atirador. Duas grandes falhas que poderiam ter evitado a tragédia.
A Folhapress ouviu famílias brasileiras que vivem em Parkland. Nenhuma pretende deixar a Flórida, mas todas afirmaram que a sensação de segurança acabou. “Eu fui assaltada à mão armada em São Paulo, levaram meu carro, colocaram a arma na minha cabeça. Para algo acontecer, basta estar no lugar errado, na hora errada”, disse a brasileira Ludmille Mazzon, 29, que vive há um ano e meio nos EUA. “Mas nenhum lugar é seguro hoje.” Nenhum!
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