O pequeno Myguel Mariano de Oliveira Bueno, de 1 ano e 2 meses, está em casa se recuperando dos ferimentos provocados pela amputação de seu pé esquerdo e das extremidades dos seus dez dedos das mãos. Segundo a mãe de Myguel, Lucymar Pereira Bueno, o menino foi vítima de uma reação alérgica a um medicamento que teria sido aplicado de forma equivocada em seu pé, durante o período em que esteve internado na Santa Casa de Franca para tratar do inchaço do baço e do fígado provocado por um vírus.
O caso foi em dezembro do ano passado. No dia 13 daquele mês, Myguel foi internado e durante quatro dias vinha sendo medicado de forma intravenosa. Mas na manhã do dia 17, ao invés de usar o equipamento para a aplicação intravenosa, uma enfermeira teria resolvido dar o medicamento aplicando uma injeção no pé do menino. “Eu não estava com ele. Minha filha acompanhou o procedimento e disse que o Myguel chorou o tempo inteiro”, contou Lucymar.
No dia seguinte, segundo ela, o menino já começou a apresentar as primeiras reações. “Ele teve febre, reclamou de dor e começou a ficar com o pé vermelho. Eu avisei as enfermeiras, mas disseram que a médica não estava.”
De acordo com a mãe, mesmo com seus alertas, a equipe da Santa Casa não tomou nenhuma atitude. “Eles diziam que era normal. Só resolveram fazer algo, porque dias depois, quando ele começou a ficar roxo, eu ameacei chamar a polícia.”
Na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), o estado de Myguel teria piorado. “Ele acabou desenvolvendo um inchaço e isso fez com que a circulação dos membros inferiores e superiores fosse afetada. Os médicos disseram que não tinham mais o que fazer e amputaram o pé esquerdo.”
Lucymar conta que chegou a pedir a transferência do menino para Ribeirão Preto, mas foi negada. “Dias depois, foram as extremidades das mãos. Também tiveram de amputar. Mas, graças a Deus, ele reagiu e agora está se recuperando.”
Lucymar prestou queixa na Polícia Civil. O delegado do 1º Distrito Policial, Luís Carlos da Silva, disse que está investigando o caso como lesão corporal culposa. “Já solicitei o exame do menino aos peritos e também pedi uma avaliação do caso ao Conselho Regional de Medicina”, explicou.
Outro lado
Na Santa Casa, o diretor clínico Marcelo de Paula negou qualquer irregularidade ou negligência no atendimento ao menino. Ele disse que, após seis dias de internação, mesmo com todos os cuidados, o menino desenvolveu uma infecção hospitalar, que acabou se generalizando. “Por cerca de 20 dias, ele permaneceu na UTI e teve graves complicações, inclusive necessitando de abordagens cirúrgicas, como as amputações, que foram feitas com o objetivo de preservar a vida do Myguel. Se o hospital e os profissionais não tivessem agido, ele poderia estar morto.”
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