QUASE METADE DAS VÍTIMAS DO TRÂNSITO EM FRANCA ESTAVA SOBRE DUAS RODAS
Franca vive uma epidemia de mortes no trânsito. Apenas nos primeiros 49 dias deste ano, 10 pessoas morreram nas avenidas e rodovias do município. Das vítimas, metade estava sobre motocicletas. O índice alarmante não vem de hoje. Nossos veículos viraram armas fatais há tempos. Agora, porém, estão ainda mais letais. Para tenta frear as tragédias em nossas ruas, a Prefeitura e a Polícia Militar lançaram nessa quarta-feira a campanha “Chega de mortes: motociclista, não seja você a próxima vítima”. O foco é, justamente, quem está sobre a principal arma do trânsito francano: as motos.
Levantamento feito com base em matérias publicadas por este Comércio mostra que 48 pessoas morreram no trânsito de Franca durante todo o ano passado. Destas, 23 estavam no piloto ou na garupa de uma moto. Não é justo, porém, mirar os motociclistas e esquecer-se dos condutores dos demais veículos automotores. Muitas vezes, os acidentes são decorrentes da imprudência dos motoristas. Temos, sim, motociclistas que desrespeitam toda e qualquer norma que visa manter a paz nas ruas e rodovias, mas eles não são os únicos. Vide, como exemplo, as mais recentes tragédias em Franca. No último domingo, dois homens morreram na rodovia Cândido Portinari, vítimas de motoristas que, além de causarem os acidentes, covardemente fugiram do local do acidente sem prestar socorro.
Ao focar nos motociclistas, nossas autoridades utilizam-se de dados oficiais. Eles apontam que, na região Sudeste do País, no ano passado, 34% dos mortos no trânsito estavam sobre motos. Já em Franca, este índice sobe a 44%. As vítimas comumente são homens com menos de 30 anos. O comandante do Pelotão de Trânsito da Polícia Militar em Franca, tenente Régis Mendes, alerta que, se nada for feito, as mortes continuarão a acontecer e - o pior - em maior número. A causa das tragédias também foi detectada: o excesso de velocidade. “Ninguém que esteja trafegando a 40 km/h morre”, crava o secretário municipal de Segurança e Cidadania, Carlos Gatti.
A solução para cessar a matança em nossas ruas não é segredo para ninguém. Basta o respeito às leis de trânsito. Dessa forma, além da rígida fiscalização e punição, a conscientização surge como uma importante terceira via. A campanha, ora lançada, pretende chegar a seu público-alvo com distribuição de folhetos em empresas de entrega, mototáxis, órgãos públicos e fábricas. “Não estamos nem mais pedindo para as pessoas respeitarem os outros. Respeite a si mesmo”, disse Gatti. O objetivo é sensibilizar os condutores de motocicletas sobre o valor da própria vida. Afinal, como afirmou o secretário de Segurança, “o motociclista é o para-choque do seu veículo e o que leva a pior em caso de acidente”.
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