PTB DISPUTA MINISTÉRIO DO tRABALHO COMO HIENAS DUELAM POR CARNIÇA
O Brasil assiste atônito à novela envolvendo a tentativa de nomeação de um ministro para a pasta do Trabalho. Sem um titular desde dezembro do ano passado, fica cada vez mais evidente que o cargo de comandante do Ministério não tem valor algum, a não ser como barganha política, neste País em que a relação entre Executivo e Legislativo se dá na forma do mais explícito toma lá dá cá. Com Michel Temer (MDB) no poder, institucionalizou-se o “presidencialismo-parlamentarista”.
O Ministério do Trabalho, no governo Temer, pertence ao PTB. O partido é presidido por Roberto Jefferson que, em janeiro, indicou a própria filha, a deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ) para o cargo. De lá até esta última terça-feira, a indicação - anunciada, sob lágrimas, pelo delator do Mensalão como “um resgate da família” - tomou ares de dramalhão mexicano. A filha do ex-deputado foi a responsável por criar os suspenses do próximo capítulo.
Tudo começou - a desprezar-se a, no mínimo, insólita nomeação familiar - com a divulgação de que a então futura ministra era alvo de ações trabalhistas. Uma delas foi encerrada após um acordo. Em outra, Brasil recorre para não pagar os R$ 50 mil a que foi condenada. A posse, então, foi contestada na Justiça, com base no princípio constitucional da moralidade dos agentes públicos. Uma liminar barrando a posse foi concedida e o imbróglio jurídico foi parar no Supremo Tribunal Federal. O pleno da Corte decidiria o que prevalece: o princípio da moralidade ou a garantia - também constitucional - de poder exclusivo do presidente da República para nomear ministros.
Antes disso, um festival de aberrações envolvendo Brasil surgiu. Denúncia de que o dinheiro usado para pagar o acordo que encerrou a primeira trabalhista teria saído da conta de uma assessora. Acusação de associação ao tráfico, na campanha eleitoral de 2010, quando teria pagado a traficantes “donos” de uma favela no Rio de Janeiro para que o ex-cunhado, candidato a deputado estadual, tivesse exclusividade em pedir votos na comunidade. Por fim, um patético vídeo, gravado ao lado de homens descamisados, aparentemente embriagados, em que Brasil se defende das ações trabalhistas.
O dramalhão parecia ter chegado ao fim, na terça-feira, quando Jefferson anunciou a desistência de nomear a filha para o Ministério do Trabalho. Mas não. Eis que, ontem, Temer concedeu prazo até março - quando fará uma reforma ministerial forçado pela janela eleitoral - para o PTB se decidir. O dono e os deputados do partido brigam para nomear o dono da cadeira. Brigam como urubus na carniça. Duelam como hienas pelas vísceras de um País dilacerado pelos predadores políticos que jogaram o Brasil na podridão.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.