Tempo novo


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Inauguro os meus escritos neste espaço, refletindo o fato de estarmos há sete meses das eleições. Mas o que se constata é uma desesperança do povo com os prováveis candidatos. Abstraindo-se dos radicais de esquerda e de direita, que escolhem seus candidatos, não pela probidade e competência, mas pela ideologia, toda a sociedade que trabalha, que paga seus impostos, que se esfalfa nas filas dos hospitais, está desalentada.
 
Pretendentes ao cargo presidencial não faltam. Mas a maioria é fisiológica, sem propostas concretas e não demonstram preocupações reais e não semânticas com a carga tributária, com a saúde, com o caos na segurança pública, com o combate efetivo da corrupção, com a qualidade da escola pública, com o desemprego e com a precariedade da infraestrutura, que só faz prejudicar e encarecer a produção agrícola e industrial do país.
 
A maioria dos pré-candidatos está mais preocupada com um projeto de poder que permita a eles e seus apadrinhados perpetuarem-se no poder.
 
O Brasil não corre o risco de virar uma Venezuela. Não pela competência e probidade da classe política, mas em razão da tenacidade de um povo batalhador e criativo, que nas adversidades, arregaça as mangas, sacode a poeira, além de um empresariado destemido, arrojado e até um pouco inconsequente. Aliás, sagrada inconsequência.
 
Durante o regime militar, parte da sociedade se uniu em busca da redemocratização. Não me cabe julgar, até porque a verdade tem muitas faces, se todas as iniciativas da época foram certas ou erradas. De uma coisa estou convicto, houve mobilização. Hoje há o descaso com a política, especialmente da juventude, que está alheia e desmobilizada.
 
Os jovens precisam entender que plantamos hoje a pátria que queremos ter amanhã, sendo que pregar a mobilização não significa incitar o uso da violência, até porque “toda ação tem uma reação de igual ou maior intensidade”. Preconiza-se engajamento, valorização do voto, não perder a capacidade de indignar-se e cobrar do eleito o cumprimento das promessas, pois, do contrário, não terá direito de reclamar, pois “quem cala consente”.
 
Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca

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