No dia 31 de outubro do ano passado, o governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB), veio à região inaugurar a duplicação de um trecho de dez quilômetros da rodovia Ronan Rocha entre Patrocínio Paulista e Itirapuã. Foi recebido por diretores da Arteris, uma das maiores empresas de concessão de rodovias do País, e por lideranças políticas. Acionou motor de máquinas, tirou fotos e foi lançado como candidato a presidente da República.
Quatro meses se passaram desde a festiva inauguração da obra alardeada pelo governo e quem ainda não tem o que comemorar são os donos de empresas que trabalharam nas obras de duplicação. Pelo menos 20 empresários afirmam que sofreram calote estimado entre R$ 5 milhões e R$ 7 milhões. São donos de restaurantes, hotéis, posto de gasolina, loja de auto center, fornecedores de mão-de-obra, uniformes, grama, pedra, tratores e guinchos.
Segunda-feira, os empresários foram ao escritório do deputado Roberto Engler (PSDB) e pediram sua ajuda para tentar receber a dívida. Na manhã de ontem, fizeram um protesto diante da sede da Autovias em Ribeirão Preto. A concessionária, que pertence ao grupo Arteris, foi a responsável pela duplicação.
A concessionária contratou por licitação a empresa Comsa, de São Paulo, para realizar as obras. A Comsa, por sua vez, criou o consórcio “SP 345”, da qual faz parte, para executar o serviço. O Consórcio alega que as dívidas se devem a pendências ainda não pagas pela Arteris. “Estamos diante de um jogo de empurra onde ninguém assume a responsabilidade e joga o prejuízo em nossas mãos. Estamos cansados de ser enrolados. Por isso, decidimos protestar. Se for preciso, vamos parar a rodovia e ingressar na Justiça”, disse Dinei Dias, um dos empresários.
O início do protesto foi tenso e a polícia teve que ser chamada. Duas horas depois, com os ânimos controlados, a Autovias aceitou conversar com dois representantes das empresas. “A Autovias nos informou que tem cerca de R$ 900 mil, retidos como caução, para repassar ao consórcio. O problema é que o valor não chega a 15% da dívida e não há garantia de que o consórcio vai usar o dinheiro para nos pagar. A Autovias também prometeu intermediar um encontro nosso com o consórcio”, disse Ricardo Lopes, dono da JA locações, que tem R$ 45 mil para receber.
Em nota enviada ao Comércio, a Autovias afirmou que cumpriu todas as obrigações legais. “A operacionalização do repasse dos valores às empresas compete exclusivamente ao Consórcio SP-345, sem nenhuma ingerência da concessionária”.
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