Covardes do trânsito atacam outra vez


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OS CIDADÃOS DE BEM TÊM DE SE REBELAR CONTRA SITUAÇÕES DESTE TIPO

Franca viveu um fim de semana violento, com mortes em avenidas e rodovias do município. A primeira tragédia foi em avenida do Jardim Tropical, onde a colisão entre uma motocicleta e uma picape matou um jovem de 21 anos. Outras duas mortes aconteceram. Estas, porém, em situações absurdas: os envolvidos nos acidentes fugiram sem prestar socorro às vítimas. Os casos denotam a covardia de parte de nossos motoristas, que ignora a legislação de trânsito, as regras de convivência em sociedade e - quiçá - a própria educação em fugas e abandonos de feridos, que - via de regra - custam a vida de suas vítimas. São os covardes assassinos do trânsito.
 
A onda de absurdos começou na manhã de sábado. O motorista de um Ômega atropelou um ciclista na rodovia Nestor Ferreira, que liga Franca à cidade de Restinga. O condutor fugiu, mas dois quilômetros depois foi punido por si mesmo, ao perder o controle do carro e capotar. O ciclista de 34 anos se recupera dos ferimentos. Este caso de covardia seria o prenúncio de mais dois dias macabros em nossas estradas.
 
Ainda no sábado, na rodovia Cândido Portinari, entre Cristais Paulista e Franca, um VW Gol foi atingido na traseira por uma caminhonete. O carro rodou na pista e bateu na mureta de proteção da rodovia. O condutor da caminhonete fugiu do local, deixando para trás uma família inteira ferida. No carro, estavam um casal, sua filha, seu genro e um neto. Todos foram socorridos. Mas, horas depois, o cortador Devair Timóteo, 43, genro do motorista do Gol, morreu. A vítima deixa duas filhas de 19 e 18 anos e um menino de 3. Já na madrugada de domingo, a Portinari seria palco mais uma vez para covardes fujões. O eletricista Clayton Vicente Domingos, 30, foi atropelado e morto na rodovia. Não há suspeitas sobre o modelo de carro tampouco sobre a identidade do motorista.
 
As três fugas são uma afronta à vida. O Código de Trânsito Brasileiro tipifica em seu artigo 304 a omissão de socorro. Desobriga o motorista a prestar a ajuda, desde que a solicite às autoridades competentes. Não fazer uma coisa nem outra é uma atitude totalmente selvagem, completamente desumana. Os cidadãos de bem têm de se rebelar contra situações deste tipo. Nenhum grupo político, nenhuma religião, nenhuma organização não governamental, exatamente ninguém, defende atitudes como a desses três covardes que agiram em Franca no fim de semana. Não devemos, não podemos, tratar essas questões como casos pontuais ou - pior - normais, sob pena de transformar a nossa segurança em um novo Rio de Janeiro - sem regras, sem lei, sem vida.

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