A incógnita do caos chamado Brasil


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O terreno das Eleições 2018 está fértil para populistas e extremistas
 
Faltam menos de oito meses para os brasileiros irem às urnas escolher o novo presidente da República. E, diferentemente das últimas eleições, não há um cenário desenhado para a disputa. A incerteza ronda, até mesmo, entre os nomes dos possíveis candidatos. Quem arrisca apostar em um vencedor se expõe ao risco extremo de fracassar. 
 
Colaboram para a indefinição diversos fatores, que vão desde o extremado desgaste atual da classe política brasileira, os escândalos de corrupção dos últimos anos a problemas cotidianos, como a grave crise da segurança pública no Estado do Rio. O nome mais forte entre os prováveis presidenciáveis está praticamente fora da disputa. A pulverização beneficia desconhecidos, populistas, extremistas e, inclusive, os mais impopulares.
 
É neste contexto que se apoia o atual presidente Michel Temer (MDB). Ao anunciar a intervenção federal na área de segurança pública do Rio, o político fez do Planalto um palanque eleitoral; fez de seu discurso, um comício - repetido em cadeia nacional de rádio e televisão horas mais tarde. O emedebista luta para diminuir o número de eleitores que reprovam seu governo. As últimas pesquisas apontam que a rejeição gira em torno de 70%. O político e seus partidários avaliam que se esse número se elevar a 15% em dois meses, o presidente tem plenas condições de se lançar na disputa pela reeleição.
 
O maior problema para Temer até agora é o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, pré-candidato à Presidência. O tucano reluta, apesar de insistentes tentativas de figurões como o ex-presidente FHC, em se aproximar do atual mandatário da República. Alckmin seria o político ideal - avaliam palacianos - para herdar o legado de Temer, mas o governador paulista não quer ligar seu nome a uma figura com tamanha rejeição. O resultado da resistência de Alckmin foi o anúncio por Temer, na manhã desse sábado - em meio à intervenção no Rio -, da criação do Ministério da Segurança Pública. Essa seria uma das maiores bandeiras da provável campanha do tucano ao Planalto.
 
Oposto aos dois e acuado pela Justiça, surge o ex-presidente Lula (PT). O petista foi condenado a 12 anos e um mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no caso do tríplex do Guarujá. Lula pode até não ser preso. Nesse caso a confusão seria ainda maior. Poderia registrar candidatura, disputar o pleito e até vencê-lo. Mas sua diplomação ser barrada pelo TSE. Esse é o pior dos cenários que a inércia de nossa Justiça pode causar. Mas é possível.
 
O caos toma conta do país. O caos é o Brasil. A desesperança é tamanha. A confiança, praticamente, nenhuma. O terreno das Eleições 2018 está fértil para populistas e extremistas. A situação é perigosa. O cronograma está traçado para quase tudo. Menos para o nosso futuro.
 

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