Cerveja artesanal: das panelas para os supermercados


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Os irmãos Luiz Henrique Cruz e Igor Henrique Cruz começaram sua produção há 8 anos
Os irmãos Luiz Henrique Cruz e Igor Henrique Cruz começaram sua produção há 8 anos
Malte, água, lúpulo e fermento, são os ingredientes necessários para a produção de uma das bebidas mais queridas do país: a cerveja. A bebida agrada homens e mulheres de todas as idades e classes sociais.
 
No Brasil, várias cervejarias trabalham a todo vapor para suprir a demanda de seus consumidores. De acordo com dados da Euromonitor (empresa de pesquisa de mercado), cada brasileiro consome 60,7 litros de cerveja por ano. Além das cervejarias industriais, a produção de cerveja artesanal está a cada dia conquistando mais adeptos. No consumo e, também, na fabricação. IPA, Weiss, Kölsh, Witbier e Lager são alguns dos tipos de cervejas mais produzidos pelos mestres cervejeiros, de forma artesanal. No ano passado, um concurso de melhor cervejeiro foi televisionado. O Eisenbahn Mestre Cervejeiro, transformou sua oitava edição em um reality show, que foi transmitido pelo canal fechado TNT. Segundo a empresa, o intuito foi disseminar a cultura e o conhecimento cervejeiro para o público. O vencedor desta edição foi o jornalista Ivan Tozzi.
 
Ivan, que morou em Franca por mais de 30 anos, concorreu com nove candidatos de todo o Brasil. O desafio era a produção da melhor receita do tipo APA (American Pale Ale). A cerveja de Ivan ganhou o nome de Three Hills, em homenagem à terra das três colinas.
 
O lançamento oficial da bebida aconteceu no último dia 9 de janeiro, em um bar na Vila Madalena, na capital paulista. A cerveja chegou ao mercado no dia 10. A edição limitada ficará disponível por um ano, e pode ser encontrada em empórios e nas principais redes supermercadistas de todo o país. A garrafa de 500 ml custa R$ 9,90.
 
Ivan, que é jornalista, começou a produção artesanal em 2014, apenas por hobby, mas com o passar do tempo, foi adquirindo apreço pelo feitio e decidiu estudar sobre o assunto. “Procurei ler sobre técnicas, sobre insumos e perfis sensoriais, para entregar cervejas mais agradáveis”, contou Tozzi. “No início, eu tinha muito pouco conhecimento sobre estilos de cerveja, aromas e sabores. Eu era um bebedor”, brinca. “E no começo achei aquilo mágico, afinal, era a ‘minha cerveja’, mas tenho certeza que, se pudesse voltar no tempo, ia perceber que tinha ficado muito ruim”, completa.
 
O marqueteiro Maurício de Castro Silva, de 45 anos, segue os mesmos passos de Ivan. Montou em sua casa, no Jardim Guanabara, uma cozinha para a produção de suas cervejas favoritas e, há 4 anos, estuda para melhorar os resultados a cada nova receita. “Fabrico em média 180 litros por mês. Vario os estilos, mas a que tem mais saída é a Kölsh, por ser mais leve e refrescante”, disse Maurício. A mais exótica que já fiz é a Tripel, é uma cerveja forte, uso cascas de laranja, rapadura e sementes de cardamomo”, disse.
 
Com uma produção maior e há 8 anos produzindo cervejas, os irmãos Luiz Henrique Cruz, 31, e Igor Henrique Cruz, 37, abriram a Cervejaria Rural. Por mês, a dupla fabrica cerca de 2 mil litros da bebida do tipo Ale. A cada produção, o estilo é variado dentre as 60 receitas criadas por eles. “Estamos com uma receita de Dark Strong Ale. Ela é bem alcoólica, tem 10,5% de álcool. Uma parte nós maturamos com chips de carvalho de barril de rum e a outra com canela”, disse Luiz Henrique. 
 
As cervejas da Rural podem ser encontradas também em alguns bares da cidade. O preço do growler (garrafa especial de vidro, cerâmica ou alumínio, com tampa de rosca ou de pressão com presilha, que é usada para transportar a cerveja evitando a perda do gás carbônico, que influi na qualidade do produto) varia de R$ 15 a R$ 25.
 
Quando o assunto é dificuldade, tanto Maurício, quanto os irmãos Cruz relatam a burocracia para conseguir a regulamentação junto ao MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), que é um dos órgãos responsáveis pela liberação comercial do produto. O insumo para a fabricação é outra barreira para os cervejeiros. Pensando nisso, Luiz Henrique e Igor abriram a única loja da cidade onde são encontrados os produtos para fabricação das receitas artesanais. 
 
Outro exemplo de produtor caseiro que cresceu, e hoje conquista o mercado de Franca e região, é o do engenheiro químico e mestre cervejeiro Liniker Mateus da Silva, 22. O jovem começou produzindo 40 litros de cerveja em sua casa, em 2013. Hoje, Liniker é o responsável pela Cervejaria Nórdica, em Patrocínio Paulista, e produção de 7 mil litros mensais. “As receitas desenvolvidas agradaram os parentes e amigos mais próximos e foram se difundindo até tomar proporções maiores e surgir a oportunidade de fazer com que a Nórdica se tornasse uma indústria”, disse ele. 

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