A estrada e o rio


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Chama-se Uma estrada junto ao rio (editora FTD) o livro de Marina Colassanti  lançado há algum tempo, mas sempre  atual.  Porque  traz uma mensagem que nunca se esgota ao trabalhar o tema da comparação. Uma estrada  não é um rio, assim como um rio não é uma estrada. Ambos são caminhos,  ligam pontos no espaço, são de grande importância ao homem, mas cada um tem suas singularidades.
 
Na história criada por Marina, a estrada queria ser o rio. Ela era uma estrada-menina, com o asfalto “recém-penteado”. Tinha muitas utilidades, acolhendo pedestres, carros, charretes e bicicletas. Porém, não se dava conta de seu valor, pois seu sonho era ser livre como o rio a quem admirava. Ela o podia ver, pois ele corria ao seu lado. Ela o via no seu movimento incessante e isso despertava nela a inveja, que é o outro lado da admiração.  Começou a ambicionar o mesmo destino.
 
 Pensava assim: “Ah, como eu queria ser um rio! Ele corre, enquanto eu fico aqui parada. Ele vai longe e eu fico logo ali. Ele brinca o dia inteiro,  sopra espuma nas pedras, inventa cascatinhas. Eu, não, tenho de ficar bem-comportada,  lisa e arrumadinha, não devo me sujar, não devo rasgar meu asfalto, e tenho de tratar a todos com delicadeza. Ah, como é chato ser estrada!”
 
Então, num dia, ao sentir o sopro de uma brisa, resolveu pedir ajuda, pois entendeu que  sozinha não conseguiria realizar seu sonho. A brisa aceitou colaborar. E, de fato, ao longo de muitas manhãs, despenteou o asfalto que foi ficando encrespando. A estrada, que ia mudando de forma, acreditava que logo tomaria jeito de rio e se esforçava cada vez mais para que isso acontecesse. Mas ela apenas se tornou  perigosa  e  poucos passavam  então por ali. Vieram os homens encarregados do conserto e fizeram seu trabalho. O asfalto ficou lisinho e a estrada decepcionada. Retomou sua tarefa de virar  rio, e dessa vez pediu ajuda a uma ventania poderosa que chegou numa noite escura: “ E a ventania lambeu o asfalto com a língua áspera, encrespando, ondeando, agitando, desfazendo em ondas e rodamoinhos a lisura de tapete.”
 
O asfalto ficou tão desfeito que ninguém mais passou por ali. A estrada tornou-se inútil. Deserta. Então começou a chorar, a soluçar de um jeito que se sacudia toda. E aí...
 
Daí que mais coisas aconteceram. Para saber que fim levou a estrada, leia o livro, que tem maravilhosas ilustrações da autora. Marina Colassanti  já esteve em Franca, há alguns anos, falando às  crianças da Escola Toulouse Lautrec. Ela nasceu na Eritreia, uma região da África,  veio  para o Brasil ainda menina, e já escreveu muitos livros, para crianças e adultos.

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