Ceprol e Pastoral suspendem atendimento a 320 crianças


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Maria Silvia Costa, do Ceprol: 'Não temos como atender'
Maria Silvia Costa, do Ceprol: 'Não temos como atender'
As 320 crianças que são atendidas pelo Ceprol (Centro de Promoção de Lourdes) e pela Pastoral do Menor no contraturno escolar estão sem aulas desde o início do ano. A suspensão dos atendimentos foi uma decisão tomada pelas diretorias das entidades e não há previsão para que as aulas sejam retomadas. 
 
Segundo a assistente administrativa do Ceprol, Maria Silvia dos Santos Costa, a suspensão foi necessária porque a instituição não tem recursos para custear os atendimentos. “Nós tínhamos um convênio com a Prefeitura, que nos repassava a verba necessária para a manutenção das aulas, mas esse convênio até o momento não foi renovado e, sem essa renovação, não temos como atender.”
 
A assistente conta que, em 2017, o Ceprol manteve o atendimento das crianças entre janeiro e junho sem a assinatura de convênio. “Eles (a Prefeitura) tinham se comprometido a fazer o repasse dos valores desses meses, mas depois disseram que não era possível, porque não tínhamos assinado o convênio. Acabamos arcando com o prejuízo de R$ 118 mil. Este ano, não temos como fazer isso.” 
 
O mesmo teria ocorrido com a Pastoral do Menor, que atende 150 crianças na região do Jardim Aeroporto. “Estamos de mãos atadas. Esperando desde janeiro pela assinatura do prefeito e nada. Já precisei demitir três funcionários, porque não havia sentido em mantê-los sem os atendimentos”, disse padre Ovídio, responsável pela Pastoral.
 
Segundo Maria Silvia, os termos da renovação do convênio já foram acertados e o contrato espera apenas a assinatura. “Está tudo certo. Entregamos a papelada no dia 12 de janeiro. Não sabemos por que até agora a assinatura e a publicação da renovação ainda não foi feita por parte da Prefeitura.” A publicação é necessária para que os pagamentos para o Ceprol possam ser liberados. Sem ela, não há como fazer os repasses. “Eu não entendo porque uma assinatura de um contrato que foi amplamente discutido demora tanto. São crianças sem atendimento. É um absurdo”, disse padre Ovídio.
 
As mães que dependem do Ceprol para cuidar de seus filhos no período em que não estão na escola estão desesperadas. “Tenho dois filhos pequenos de seis e sete anos. Trabalho o dia todo e não tenho com quem deixá-los. Estou desesperada”, contou uma mãe, que é cabeleireira e tem levado os dois meninos para o salão no período da tarde, quando ficariam no Ceprol. “No salão, não é ambiente para crianças.”
 
Segundo padre Ovídio, as mães da Pastoral devem organizar um protesto para pressionar a Prefeitura. “Elas estão desesperadas, mas não há nada que eu possa fazer.”
 
Sem resposta
Durante dois dias, a reportagem tentou contato com a Prefeitura para cobrar explicações sobre o caso, mas não houve resposta. Na quarta-feira, um e-mail foi encaminhado para a Assessoria de Comunicação e seu recebimento, confirmado. Ao longo do dia, foram feitas pelo menos três ligações pedindo resposta. Não houve. 
 
Na quinta-feira, novamente a reportagem cobrou a assessoria, que informou que os questionamentos haviam sido encaminhados ao chefe de gabinete, Orivaldo Donzelli. A reportagem tentou contato com o secretário em seu celular, mas ele não atendeu. 

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