Um dia depois de receber um ofício do Ministério Público, cobrando explicações sobre a falta de ação na retirada de moradores de rua, o secretário municipal de Ação Social, Vanderlei Tristão, resolveu agir. Uma equipe formada por uma assistente social, advogado e pelo próprio Vanderlei Tristão esteve nessa sexta-feira em dois locais para fazer a limpeza e o recolhimento de pertences que ocupavam áreas públicas. Além da equipe, um grupo de funcionários da Seleta, que faz a coleta de lixo na cidade, também participou.
A ação começou por volta das 10 horas. O primeiro local a ser visitado foi o pontilhão do Jardim Consolação, na avenida Dr. Ismael Alonso y Alonso, que foi citado pelo promotor de Justiça Paulo César Corrêa Borges em seu ofício. “Estamos realizando hoje a retirada do material, após uma determinação do promotor que usa como defesa de propriedade o desforço imediato. Vamos guardar esses objetos em um espaço da Ação Social e, em acordo com o Ministério Público, tentar definir um prazo para que essas pessoas retirem esses materiais”, disse Tristão.
No local, apesar dos objetos sugerirem que ali viviam quatro homens, nenhum deles estava no momento da abordagem. “Se estivessem, teríamos conversado com eles e oferecido ajuda, encaminhamento para o Abrigo Provisório ou mesmo a internação em uma clínica de recuperação. E se eles não fossem de Franca, ainda poderíamos ajudá-los a voltar para suas cidades de origem”, completou.
Depois de catalogarem todos os objetos que estavam no local e promoverem a limpeza, as equipes se deslocaram para o pontilhão da rua General Telles, sobre a avenida Hélio Palermo. Lá, havia a denúncia de que um grupo de cinco pessoas teria montado um barraco embaixo do pontilhão. Mas, de novo, nenhum morador foi encontrado.
Nos dois pontilhões, havia barracas, colchões, roupas, sapatos, alimentos, restos de comida, bebidas e até drogas. “Todo material foi recolhido e catalogado. Faremos um relatório com todos os detalhes das ações e entregaremos ao Jurídico da Prefeitura e também aos promotores. Seguimos o decreto no que era possível, fizemos tudo dentro da lei”, garantiu.
Segundo o secretário, ações como as de ontem devem se repetir. “Estamos retomando as abordagens aos moradores de rua. Ainda temos muito trabalho pela frente já que, por conta deste período em que ficamos parados, os moradores voltaram a muitos pontos.”
Borges está de férias. Em seu lugar, está o promotor Christiano de Andrade. Ele foi procurado para comentar as ações da Prefeitura, mas em seu gabinete informaram que ele estava no Fórum, em audiências. À tarde, foram feitas outras duas ligações. Na primeira, por volta das 15h30, ele ainda estava em audiência. A atendente anotou o recado e disse que ele retornaria a ligação. Como até as 17h30 ele ainda não havia ligado, a reportagem telefonou para o gabinete. Ninguém atendeu.
No início da noite, a reportagem visitou os locais onde as equipes estiveram pela manhã. No pontilhão da Alonso y Alonso, três moradores de rua já haviam voltado e estavam em volta de uma fogueira. Embaixo do pontilhão da General Telles, ainda havia lixo acumulado, mas os moradores não estavam.
colaborou Carolina Ribeiro
Abordagens virarão rotina até fim do mês
O secretário de Ação Social, Vanderlei Tristão, disse que a Prefeitura irá retomar as abordagens aos moradores de rua ainda neste mês. Uma equipe foi especialmente montada para realizar o serviço e vem sendo treinada.
Inicialmente, a equipe terá três assistentes sociais, um coordenador com curso superior e um motorista. “Eles trabalharão em conjunto com o Consultório de Rua, que é um programa da Secretaria de Saúde, que tem um consultório móvel com psicólogo, enfermeira, médico e um motorista”, explicou Vanderlei.
Para as abordagens, a equipe terá um veículo que será identificado com adesivos e também usará um uniforme. “Estamos acertando os últimos detalhes de como será a logística desta nova equipe. Esperamos que, em dez dias, o atendimento esteja funcionando.”
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