A bala de prata de Michel Temer


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A TER ÊXITO nO RIo, TEMER SURGE COMO CANDIDATO COM POTENCIAL DE VITÓRIA
Algo inédito na história do Brasil desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, o presidente Michel Temer (MDB) decretou nessa sexta-feira intervenção federal na área de segurança pública do Estado do Rio de Janeiro. É a primeira vez em três décadas que o chefe do Executivo nacional interfere no governo de uma unidade da Federação. O decreto da intervenção oficializa a falência das forças de segurança carioca; decreta o fim do governo de Luiz Fernando Pezão (MDB), no Rio; e oxigena a carreira política de Temer.
 
A escalada da violência, principalmente na região metropolitana do Rio de Janeiro, tomou proporções de caos nas últimas semanas e foi projetada nacionalmente durante o Carnaval. Arrastões nas praias, nas ruas dos mais famosos bairros da Cidade Maravilhosa, tiroteios nos principais corredores da Capital... Dessa forma a violência incontrolada que domina os morros e comunidades carentes do Rio se apresentou a turistas e moradores da orla. Nas favelas, milícias ou traficantes mantêm seus governos paralelos há anos. Mas a guerra do morro insistiu em dar sua cara ao asfalto. Enquanto matava inocentes, de idosos a crianças, de civis a policiais, a violência confinada nos bairros miseráveis insistia em desrespeitar os limites ocultos da tolerância. A vitória da criminalidade sobre o governo carioca desfilou pela cidade do Rio de Janeiro durante todo o Carnaval.
 
Pezão tentou tapar o sol com a peneira, disse que tudo estava sob controle. Dias depois, assumiu a incapacidade e a incompetência do Estado. As cobranças, então, começaram a beirar o Planalto. O presidente da República reagiu com a intervenção. A segurança do Rio de Janeiro já está sob o comando das Forças Armadas. 
 
Com a medida - urgente e única para a atual situação carioca -, Temer desvia os olhos da sociedade para a anunciada derrota na Reforma da Previdência. Conquista tempo também. Enquanto houver intervenção federal, nenhum ponto da Constituição Federal pode ser alterado. Assim, a reforma fica em suspenso. O emedebista, porém, diz que interromperá a intervenção no Rio quando a Câmara e o Senado se propuserem a votar o texto da Previdência. 
 
“Já resgatamos o progresso e retiramos o país da pior recessão de nossa história. É hora de restabelecer a ordem. E a manutenção da ordem foi o fundamento constitucional para a intervenção, tal como prescreve o Artigo 34 da Constituição Federal. Unidos, traremos segurança para o povo brasileiro”, disse o presidente em pronunciamento à Nação. O discurso soa como um ensaio de campanha eleitoral. A ter êxito a ação de seu governo no Rio, Temer surge como candidato com grande potencial de ser reconduzido ao comando da Nação nas eleições de outubro. O tiro foi dado. Basta acertar o alvo.

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