O Carnaval, os protestos e o seu voto


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ENTENDER A ORIGEM DOS PROTESTOS É A FORMA MAIS EFICAZ DE COMBATER O PROBLEMA
 
O Carnaval deste ano, sobretudo nos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, teve um tom altamente crítico à classe política nacional. Os protestos tiveram como alvos o presidente Michel Temer (MDB), o Congresso Nacional, o ex-governador do Rio Sérgio Cabral e o prefeito da capital fluminense Marcelo Crivella (PRB). Pelos cortejos de blocos Brasil afora, também sobraram manifestações contra conhecidas figuras políticas. Grande parte delas, tema de irreverentes marchinhas. Foi no enredo das escolas do Rio, porém, que o tom das críticas se elevou, com duros ataques aos políticos. Lá, a origem dos protestos está numa decisão tomada pela maioria dos eleitores cariocas, em 2016, quando elegeram prefeito da cidade Marcelo Crivella (PRB), bispo da Igreja Universal do Reino de Deus.
 
No ano passado, logo após tomar posse na Prefeitura do Rio, Crivella anunciou, entre as medidas de contenção de gastos do governo municipal, o corte nas verbas repassadas às escolas de samba para os desfiles de 2018. Houve fortes protestos, tanto por parte dos carnavalescos, como por setores da cultura do Estado. O religioso, então, recuou e amenizou o corte. Mas a medida não foi suficiente para evitar os protestos na Marquês de Sapucaí.
 
O Brasil é acaçapado por escândalos políticos desde 2006. Começou com o Mensalão e chegou ao Petrolão, com a Operação Lava Jato. São mais de dez anos que a corrupção e seus efeitos letais são destrinchados, diariamente, pelos noticiários. Mas só agora dominou o Carnaval. Agora que a crise político-econômica atingiu as escolas de samba.
 
A Paraíso do Tuiuti abriu a enxurrada de protestos. Com a escravidão como tema de fundo, o enredo fez críticas à reforma trabalhista, tratou os manifestantes pelo impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT) como fantoches e retratou Temer como um “vampiro neoliberalista”. A tradicional Mangueira, com o enredo “Com dinheiro ou sem dinheiro, eu brinco”, levou Crivella como Judas para a passarela do samba e mandou um recado direto: “Prefeito, pecado é não brincar o carnaval”. A Beija-Flor levou à Sapucaí um Congresso cheio de ratos e retratou com ironia a “farra dos guardanapos”, como ficou conhecido o jantar de Sérgio Cabral e seus asseclas em um restaurante de Paris, em que comemoram a gastança de recursos públicos em uma patética foto em que aparecem com guardanapos na cabeça.
 
Protestar é direito sagrado em uma democracia. Entender a origem dos protestos é a forma mais eficaz de combater o problema e evitar futuras manifestações. Ao eleger um religioso ortodoxo para governar a cidade, os cariocas já deveriam ter em mente que o Carnaval não seria prioridade do novo prefeito. Quando elegemos um político, elegemos a pessoa, com suas crenças e valores.

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