Geração de analfabetos


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Infelizmente a grande maioria do povo brasileiro não tem o saudável hábito de dedicar um pouco do seu tempo para a leitura de um livro edificante. Estima-se que menos de 10% da população lê mais de um livro por ano. Com a difusão cada vez mais intensa do computador e dos modernos celulares e, ainda, com o uso indiscriminado das redes sociais, o hábito da leitura vai ficando cada vez menor e, por via de consequência, o mercado literário segue vivendo uma enorme crise econômica.
Sabe-se que quem não lê com regularidade, acaba também não aprendendo a escrever com clareza e de forma escorreita. Assim, há textos escritos que são absolutamente ininteligíveis, sendo que em algumas profissões a deficiência no escrever afeta menos o resultado que se espera da atuação do profissional, mas em outras profissões, tais como o Jornalismo e o Direito, a dificuldade na escrita acaba prejudicando a essência do trabalho.
É comum deparar-se com textos escritos por bacharéis em Direito e jornalistas que não permitem o bom entendimento do leitor, vindo à baila a advertência enfática do saudoso Abelardo Barbosa, o “Chacrinha”: “Quem não se comunica se trumbica”. Confesso também que em algumas provas de acadêmicos de Direito é comum o professor encontrar erros primários de português, além de textos confusos e desconectados, que não se permite aquilatar, com precisão, o que o aluno efetivamente quis dizer.
É evidente que essa dificuldade em acadêmicos, é um reflexo do precário ensino fundamental, especialmente na escola pública. Parece que a escola finge ensinar e o aluno finge aprender. Com esse quadro caótico, corremos o risco de no futuro termos uma plêiade de Doutores, porém semialfabetizados.
 
SETÍMIO SALERNO MIGUEL
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca

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