Após anos de imersão no universo das músicas e danças brasileiras e um sonho alimentado por muito tempo, o casal Priscila De Col e Pedro Fonseca montou em Franca o Centro Cultural Cangoma. O espaço nasceu em 2006 e é voltado para pesquisa, prática e divulgação das riquezas da cultura popular brasileira.
Os dois são francanos. Pedro é educador musical e Priscila, professora de Letras e musicista. A ideia de montar o centro cultural surgiu quando ainda estavam na faculdade. Depois de passagens por renomados centros de pesquisa, como o Instituto Brincante e Cachoeira, e viagens pesquisando a cultura popular Brasil afora, concretizaram o projeto. “Escolhemos Franca porque a cidade sempre foi muito carente de cultura. Hoje, com mais de dez anos de Cangoma, a gente percebe que conseguiu atingir os objetivos, pelo retorno que as pessoas nos dão. Formamos as turmas no curso de música e dança brasileiras e muitos alunos são professores de música e estão compartilhando o que aprenderam”, comemora Priscila.
O Cangoma, com sede na Avenida Antônio Barbosa Filho, oferece cursos diversos. Entre eles o de música e dança da cultura popular brasileira, com aulas práticas e teóricas, de vários ritmos. As crianças também encontram espaço para mergulhar nas tradições culturais do país, no curso dos pequenos batuqueiros. Tem ainda o curso de danças brasileiras e de capoeira. O centro é sem fins lucrativos e as mensalidades das aulas ajudam a custear os projetos.
O Grupo Cangoma, com 12 integrantes, é outro projeto do centro. Com 11 anos de estrada, encanta o público para quem leva a música e dança de ritmos como maracatu, ciranda, jongo, cacuriá e o batuque de umbigada.
O Balaio é mais um grupo musical do Cangoma, que conta com cinco integrantes e existe desde 2007. A harmonia da percussão, vozes e cordas propagam a música regional.
Além dos cursos, o Cangoma promove oficinas em todo o Brasil e faz apresentações em saraus, feiras, escolas, eventos culturais e acadêmicos, além do Carnaval e Festa Junina de rua.
Para reviver épocas
As viagens pelo Brasil inspiraram Pedro e Priscila na criação dos projetos do Cangoma. A ida para Recife, em 2007, para conhecer mais de perto o maracatu, ritmo de música e dança afro-brasileiro, os emocionou e acendeu a vontade de trazer o Carnaval de Rua para Franca. No mesmo ano, realizaram o primeiro cortejo no Centro da cidade. E não pararam mais. Em 2014, nasceu o Bloco Cangoma, hoje com 80 percussionistas e dançarinas, afinadíssimos para embalar os foliões no Carnaval.
Com o intenso trabalho de resgatar tradições, vão realizar neste sábado, 10, o Carnaval de Salão. O Baile do Bloco, com concurso de fantasias, promete ser um Carnaval para reviver os antigos e saudosos bailes do Castelinho. A festa será às 21 horas, no salão principal do clube.
Na segunda e terça-feira, 12 e 13, o grupo realiza o cortejo de Carnaval com show aberto na Praça Nossa Senhora da Conceição. Nos dois dias, a concentração será 16 horas na Praça João Mendes e o percurso seguirá até a Concha Acústica. A expectativa é de grande público, pela evolução de participantes a cada edição. O primeiro cortejo do Bloco reuniu 500 pessoas e, no ano passado, mais de cinco mil prestigiaram a apresentação de maracatu, marchinhas, samba reggae e samba tradicional. “Será um Carnaval muito especial. Preparamos um repertório de música e coreografias especiais de dança para animar todo o público”, disse Priscila.
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