A Uber, os taxistas e a revolução tecnológica


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A polêmica do serviço alternativo de transporte de passageiros chega a Franca. Nesta semana, a Uber - aplicativo de celular presente em centenas de cidades do Brasil e espalhado pelo mundo - anunciou o início do cadastramento de motoristas interessados em serem parceiros da empresa na cidade. Geralmente, muito mais barato e com um serviço diferenciado do tradicional, a notícia da preparação para a chegada do aplicativo a Franca agradou em cheio a população e revoltou os taxistas.
 
Para poder dirigir pela Uber, o motorista deve ter em sua carteira de habilitação a observação de que exerce atividade remunerada, o veículo deve ser fabricado de 2008 para cá, ter ar-condicionado e quatro portas. O aplicativo monitora todas as viagens - contratadas pelo celular - via GPS e ainda checa todos os dados dos clientes antes e durante a viagem. A tentativa é proporcionar segurança a passageiros e motoristas. Isso se soma à promessa de mais conforto nas corridas, em comparação com os táxis. Mas o que atrai mesmo o passageiro é o valor cobrado pelo serviço, geralmente bem abaixo do praticado pelo serviço tradicional.
 
Os taxistas defendem-se ao afirmar que pagam taxas e impostos, e que a Uber e outros serviços de transporte alternativo configuram uma concorrência desleal, assim como a causada pelos clandestinos. A Prefeitura de Franca defende a regulação do serviço na cidade e afirma que, enquanto isso não acontecer, a Uber será considerada clandestina. Já a empresa diz que a legislação federal, através da Política Nacional de Mobilidade Urbana, respalda sua atuação. O fato, porém, é que a questão não é pacificada. Há congressistas que defendem a necessidade, sim, de uma regulação pelos municípios.
 
A discussão sobre a forma de atuação do aplicativo deve gerar debates acalorados. A Prefeitura deve propor uma legislação para salvaguardar os taxistas. A Câmara de Vereadores discuti-la com os taxistas, que formam uma classe estruturada em Franca. Mas qualquer discussão que parte rumo à proibição do serviço em Franca será inócua. Não dá para tampar o sol com a peneira, não dá para, simplesmente, ignorar a revolução tecnológica.
 
A internet afetou os meios de comunicação. Os aplicativos de entrega de comida afetaram os meios tradicionais. Há dez anos, as pessoas iam às locadoras alugar filmes, hoje assistem online. Antigamente para ouvir música era preciso comprar um LP, depois as fitas cassetes, CDs, iPod... Tudo isso acabou. Hoje tudo se faz pelo celular. A tecnologia mudou a indústria da comunicação, do cinema, da música. Há uma radical mudança na forma de consumo.
 
É impossível evitar a vinda da Uber a Franca. As autoridades podem tentar ditar as regras de como essa atuação será. Os taxistas podem tentar se adaptar a dividir o mercado com o novo concorrente. Mas tentar proibir a população de usar o aplicativo já é uma batalha perdida.

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