Moradores de Franca, Patrocínio Paulista, Pedregulho e Restinga têm enfrentado problemas com a entrega de correspondências dos Correios. Cresceu o volume de reclamações da população por não receber boletos antes dos vencimentos, tendo de arcar com pagamento de juros por atraso. O problema, de acordo com eles, começou no ano passado.
“Aqui no meu bairro, as correspondências chegam com duas semanas ou mais de atraso. E esse é um problema que vem desde o ano passado, não é de hoje. Temos que correr atrás para tentar pagar sem os boletos e evitar os juros e multas”, disse Maria Luiza, moradora da Chácara São Paulo.
“As minhas correspondências estão chegando com mais de 15 dias de atraso. Eu ainda tenho acesso a aplicativos e internet, mas e quem não tem ou não sabe? Minha mãe, mesmo, não entende bem e não tem impressora, ela precisa da conta na mão para pagar, assim como muitos outros. As empresas pagam os Correios para fazerem esse serviço e tinha que ser feito”, disse Renata Soarez.
Justificativas
Em nota, a assessoria de imprensa do Correios do interior de São Paulo informou que “os atrasos nestas cidades ocorrem devido à sobrecarga de objetos postais no centralizador dos Correios, onde a carga postal é tratada antes de ser encaminhada para estas cidades, onde atuam 66 empregados dos Correios”.
A previsão é que a situação seja normalizada neste mês, porém, os Correios não precisaram uma data, informando apenas que “para isso, estão realizando ações no centralizador, como a utilização de trabalhadores temporários, apoio de empregados de outras unidades, mutirões e serviço extraordinário”.
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios de Ribeirão Preto e Região, o problema acontece por falta de mão de obra no centralizador citado pelos Correios, que funciona em Indaiatuba, na região de Campinas.
“O Correios está há mais de um ano passando por um processo de reestruturação, que contou com muitas demissões voluntárias. O objetivo é maquinizar o serviço, mas ele ainda não funciona como eles gostariam. Antes, as correspondências eram centralizadas por região, mas hoje funciona em uma cidade mais longe”, disse Fernanda Romano, diretora do Sindicato. “É muito importante enfatizar que a culpa não é dos carteiros e não tem nenhuma correspondência atrasada na cidade, mas o atraso acontece no centralizador, o que provoca esses atrasos (nas cidades)”, completou.
Atraso não justifica falta de pagamento, alerta Procon
O coordenador do Procon (Programa de Proteção e Defesa do Consumidor), João Vicente Miguel, orienta os consumidores a entrar em contato com a empresa credora para combinar outra forma para o pagamento, pois o não recebimento de boletos não justifica a falta de pagamento.
“Infelizmente essa é a única alternativa para essas pessoas enquanto estiverem enfrentando problemas. Para evitar o pagamento de juros, é ideal que procurem, por exemplo, os bancos e solicitem os boletos por e-mail ou até o débito bancário”, explicou Miguel.
Segundo o coordenador, apenas os emissores dos boletos, por exemplo as agências bancárias, poderiam questionar o atraso e o serviço de entrega.
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