A antecipação dispensa justificativas


| Tempo de leitura: 2 min
Franca foi surpreendida na última semana com publicações no Diário Oficial do Município da demissão de cinco ocupantes de cargos no alto escalão do governo Gilson de Souza (DEM). Entre as exonerações, estavam a da secretária de Serviços e Meio Ambiente, Rosaura Zuccolo, e do secretário de Assuntos Estratégicos, Thiago Comparini. A medida tomou de assalto até mesmo os envolvidos, que, sem terem a mínima ideia do que acontecera, preferiram o silêncio. No meio do furacão, o prefeito convocou uma entrevista coletiva para lançar o programa “Franca: mais saúde e educação”.  O assunto foi deixado de lado. Os jornalistas queriam entender o porquê das demissões. Gilson alegou uma minirreforma administrativa. Tentou justificar. Não convenceu.
 
Decisões importantes e de grande repercussão, como o decreto que regulamenta o tratamento dispensado aos moradores de rua, são publicadas no Diário Oficial, sem alarde. Dá-se a impressão de que, ao tomar decisões impopulares ou difíceis, o governo as lança na publicação, com a ilusão de que ninguém tomará conhecimento.
 
É direito e - mais - dever do prefeito tomar decisões. Ele precisa ter ao seu lado pessoas de sua confiança. Afinal, se tentar controlar todos os atos do governo numa cidade com 350 mil habitantes, um orçamento de R$ 750 milhões e uma administração com quase 5 mil servidores, não haverá governo. O prefeito pode e deve demitir e contratar, dentro da lei, quem ele achar necessário. A única coisa que o prefeito não pode, ou pelo menos não deve, é tentar esconder suas decisões. Sob pena de, em vez de governar, ter de ficar ad infinitum justificando seus atos.
 
Parte dos problemas enfrentados pelo governo poderia ser evitada com um simples comunicado à imprensa, anunciando decisões. É mais simples e eficaz convencer antes, do que tentar justificar após o ato tomado. No caso do governo Gilson, teria até uma segunda importante função: unificar o discurso do governo. Também na semana passada, venceu o contrato da tarifa de R$ 1 aos domingos nos ônibus da São José. O gerente de Transporte da Emdef, Luciano Marangoni, disse que o benefício não continuaria porque não houve aumento no número de passageiros durante os seis meses de experiência. Já Gilson, ao comentar o fim de uma das suas principais promessas de campanha, apresentou um discurso completamente contraditório às afirmações de seu subordinado. Disse que a tarifa só não seria prorrogada por não constar do contrato atual, que vence em 2019. No próximo, garante o prefeito, a tarifa promocional será obrigatória.
 
Este 2018 promete ser um ano difícil para o prefeito e seu governo. Importantes decisões deverão ser tomadas. A oposição deve estar acirrada por conta das eleições gerais de outubro. Para ter um pouco mais de tranquilidade para comandar Franca, Gilson deve rever a forma como seu governo age. A continuar como está, corre o risco de não governar.
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários