Mais um assassinato com requintes de crueldade foi registrado na região de Franca. Dessa vez, o crime foi na zona rural de Restinga, às margens da rodovia Cândido Portinari, e foi descoberto pela polícia horas após o desaparecimento da vítima. Trata-se do pespontador Kaio César Ferreira, de 28 anos, morador da Vila Real. Dois homens, um trabalhador rural, 24, e um estudante, 18, foram presos pouco depois, após serem flagrados pela Polícia Rodoviária queimando as roupas da vítima.
O desaparecimento de Kaio aconteceu no último domingo, por volta de 14 horas. Segundo seus familiares, ele saiu de casa após receber uma ligação. Por volta de 0h30 dessa segunda-feira, policiais rodoviários que patrulhavam a Cândido Portinari se depararam com um Fiat Palio parado na entrada de uma fazenda ateando fogo em roupas e nos documentos do pespontador. Ali, estavam Carlos Elias Cândido Martins, 24, e Vinícius Ponciano Lopes da Silva, 18.
Ao ser questionado, o mais velho disse que estava no local para “tocar” o gado de seu patrão e a fogueira “era para queixar lixo que havia no local”. Porém, pouco depois, os pais da vítima procuraram a polícia, relatando seu desaparecimento. Com isso, policiais civis de Restinga e da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Franca iniciaram as buscas pelas imediações onde os acusados estavam e, depois, até um lugar indicado por Martins.

Kaio César Ferreira, de 28 anos, morreu esfaqueado e teve corpo enterrado em mata perto de rodovia
Encontro do corpo
“Era matar ou morrer.” Foi assim que o trabalhador rural justificou o assassinato de Kaio. Ele não tinha passagens policiais.
O trabalhador rural disse ter recebido várias ameaças por parte da vítima, porque estaria “devendo um dinheiro” - cerca de R$ 500 - para ele. Também alegou ter agido sozinho e contado com a “ajuda” de Silva apenas na hora de queimar as roupas da vítima. Essa versão, porém, não convenceu os policiais civis, que acreditam na participação do rapaz de 18 anos em todo o crime.
Ainda segundo Martins, ele não aguentava mais as ameaças. “Para não morrer, matei ele primeiro”, disse. Para isso, sequestrou a vítima assim que a encontrou no Jardim Aeroporto, e levou-a até a rodovia Cândido Portinari. Ele ainda amarrou os pés de Kaio, colocou uma toalha em sua boca “para que ele não gritasse” e o levou até uma mata da zona rural de Restinga. Ali, pegou um facão e golpeou perto do pescoço e, em um só golpe, também feriu o abdômen da vítima. Depois, enterrou o corpo. O facão utilizado foi apreendido.
Após mostrar aos policiais onde havia enterrado o desempregado, Martins voltou à delegacia de Restinga e não demonstrou emoção alguma ao descrever o crime, tampouco como enterrou a vítima em uma cova de quase dois metros. “Agora é tarde para ter arrependimento”, afirmou.
Assim como Vinícius, foi autuado em flagrante por ocultação de cadáver, sequestro e homicídio qualificado. Os dois foram recolhidos à Penitenciária de Franca.
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