'Foi emocionante ver tanta gente gritando meu nome'


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Nascido em Araçatuba (SP), o armador Rafael Freire Luz, que completa, no próximo domingo, 26 anos, voltou às quadras, depois de mais de 8 meses de afastamento, vestindo a camisa 55 do Sesi Franca Basquete na última semana. Com uma vitória sobre o Caxias do Sul pela 10ª edição do NBB (Novo Basquete Brasil), o jogador, que chegou à equipe como um dos reforços para a atual temporada e mostrou logo na estreia belas jogadas, veio para suprir uma das principais deficiências da equipe, depois que o armador Alexey Borges se afastou para tratar de uma grave lesão.
 
O jogador, que aos 15 anos foi para a Espanha e por lá consolidou sua carreira, chegou a passar pelo Flamengo e pela Seleção Brasileira em temporadas anteriores. Em maio do ano passado, após uma grave lesão no joelho, ele se afastou das quadras por mais de oito meses. Em dezembro, depois de muita expectativa, foi anunciado como o mais novo contratado da equipe da Capital Nacional de Basquete.
 
Integrante de uma família tradicional no basquete, Luz afirma ter começado a se envolver com o esporte quando ainda engatinhava. Tendo agora como metas ganhar o título do NBB com a equipe francana e se classificar com a seleção para a Copa do Mundo de Basquete, que acontece em 2019, o atleta, que acaba de ser convocado para a Seleção Brasileira, falou com o Comércio sobre sua carreira e a chegada ao Sesi Franca.
 
Franca é considerada a Capital Nacional do Basquete e tem uma das histórias mais vitoriosas do basquete nacional. Como é para você integrar essa equipe?
É sempre importante jogar em uma equipe onde a tradição no basquete é enorme. Todos sabem que Franca é a capital do basquete e como eu disse em minha apresentação, é uma honra jogar em uma cidade que entende e vive o basquete. Espero ficar aqui um bom tempo e dar muitas alegrias para a torcida, ainda mais no NBB, onde Franca ainda não conseguiu um título.
 
A torcida francana sempre foi extremamente apaixonada, assim como também é crítica. A atual equipe, que chegou com nomes vitoriosos como Rafael Mineiro, Jefferson William e Léo Meindl, parece ter devolvido a confiança aos torcedores. Como foi pra você entrar em quadra com uma das maiores torcidas do País gritando seu nome? Como é lidar com a paixão dos francanos pelo basquete?
Foi emocionante, ver tanta gente no ginásio gritando meu nome, com uma torcida que ama tanto o basquete. O Sesi fez um trabalho muito bacana para levantar o basquete da cidade. E agora cabe a gente devolver com mérito todo o suporte que o Sesi está nos oferecendo. O fato de lidar com a paixão dos francanos é fácil, afinal o basquete é o esporte que todos nós amamos e seguimos.
 
Você já entrou no time com uma equipe entrosada. Como foi chegar depois e como é sua relação com os outros jogadores? É mais fácil pelo fato de algumas pessoas já terem trabalhado com você antes?
 A relação com todos foi fácil, como sou armador, tenho uma facilidade em me entrosar rápido. Alguns eu já conhecia por ter jogado junto na Seleção, como o Rafa Mineiro, com quem joguei no Flamengo, e o Gruber, com quem joguei na Espanha. E Leandrinho, Jefferson, Léo, Cipolini e os demais, estão sempre dispostos a ajudar, facilitar a convivência e o entrosamento do dia a dia. Todos me ajudaram para que eu me encaixe no time com mais rapidez.
 
Em várias entrevistas, o Helinho Garcia, técnico do Franca, lhe elogiou como jogador. Como é sua relação com ele?
A minha relação com a comissão técnica é ótima. O grupo de técnicos do Sesi mantém uma relação ótima com todos os jogadores e comigo não é diferente.

Apesar da pouca idade, você é um jogador experiente. O Sesi Franca tem se destacado por ter um plantel unido e forte. O que pretende tentar passar para seus colegas de equipe, especialmente ocupando a posição de armador, um reforço que era muito cobrado, principalmente pela torcida? Qual o diferencial do basquete nacional para o internacional?
A diferença principal é justamente a parte da tática. Lá na Europa o basquete é muito mais estudado. Eles dão muito mais valor à posse de bola, a cada ataque e a detalhes defensivos que, no basquete brasileiro, não se dá tanto valor. E quero tentar passar isso para meus colegas. Tenho um estilo de jogo mais cadenciado e mais organizado e acho que isso vai ajudar bastante a equipe pelos jogos que temos pela frente. Eu já vinha acompanhando a equipe e, embora tenha percebido que eles cresceram muito, acho que minha chegada vai ajudar o time a quebrar o ritmo dos adversários e dominar os jogos.

Você e o Helinho têm algo em comum, ambos vieram de famílias com história no basquete, ele com o pai Hélio Rubens e você com suas três irmãs (Helen, Cíntia e Silvia) que construíram uma carreira de sucesso no esporte. Como é vir de uma família voltada para o basquete e ser hoje o único Luz em quadra? Existe muita cobrança?
Para mim sempre foi fácil. Nasci nesse meio, cresci no basquete, ainda tive a sorte de ter uma família que sempre me apoiou muito em todas as minhas decisões. E quando decidi vir para Franca não foi diferente. Nunca senti nenhum tipo de cobrança, o basquete sempre foi muito natural na minha família. Isso sempre ajudou muito em minha carreira, ter minhas irmãs que tiveram tantas conquistas nas carreiras delas, sempre me incentivou cada vez mais a tentar chegar onde elas chegaram.

Você acaba de se recuperar de uma grave lesão. Como foi esse período de recuperação? Em algum momento achou que não iria poder voltar às quadras?
Foi um período longo, foram oito meses e meio sem poder jogar, o maior período que estive longe das quadras. Nunca tinha passado por uma lesão tão grave assim, como são as lesões de joelho. Um amigo meu, que teve a mesma lesão que eu uns meses antes, me ajudou demais. Ainda mais em manter a cabeça boa, em saber que alguns dias pareceriam longos demais, mas que tudo daria certo. Mas, em nenhum momento cogitei a possibilidade de parar de jogar. Sempre acreditei que, se mantivesse meu foco e minha força de vontade, voltaria a jogar.

Como a contratação pelo Franca te ajudou a voltar a jogar?
A contratação pelo Franca me ajudou em muitos sentidos; uma tranquilidade para terminar minha recuperação, em ter um fisioterapeuta que trabalhasse comigo com mais cuidado. Ter esse conjunto de fisioterapia e preparação física na fase final da minha recuperação foi fundamental.
 
Hoje você é armador de uma das equipes que estão na disputa do título do NBB. Quais são suas expectativas para a temporada no Franca?
Minha maior expectativa, sem dúvida, é tentar disputar o título. Com todo investimento feito no time e com os jogadores que chegaram e os que já estavam aqui, formamos um grupo que pode ser campeão. Precisamos trabalhar muito e nos conhecer muito bem para tentar trazer esse título para Franca.

Você tem tatuado em seu corpo algumas coisas que mostram a sua paixão pelo basquete, que além de ser a sua profissão parece ser algo realmente que faz parte de você. O que elas significam para você?
Tenho muitas tatuagens, as com relação ao basquete são a frase “Old times, good times” (“Velhos tempos, bons tempos”), que corta a bola de basquete no meio, no meu antebraço. O símbolo do meu clube de Jundiaí, onde me formei no basquete e sou muito grato. Ele nem existe mais, se chamava Esportiva, porém fiz essa homenagem pela importância que ele teve na minha vida. E ainda tenho algumas frases como “Se você tem em sua mente, você terá em suas mãos” com uma bola de basquete quicando. “Não importa quantas vezes você caia e sim quantas vezes você se levanta”, do Rocky Balboa, e uma nas costas que diz “Se você não acreditar em você mesmo, ninguém acreditará”.

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