COMO DIZ O DITO POPULAR, TUDO O QUE COMEÇA MAL, ACABA MAL
A cada dia, a indefinição sobre a posse da deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ) no Ministério do Trabalho ganha contornos inimagináveis. O fato novo, publicado pelo O Estado de S.Paulo, é que a política indicada pelo presidente Michel Temer a assumir o comando da pasta é investigada pelo Ministério Público Federal por associação ao tráfico. Nas eleições de 2010, Cristiane - secretária municipal à época -, seu ex-cunhado, o deputado estadual Marcus Vinicius (PTB), e mais três assessores teriam dado dinheiro a traficantes para a campanha de Vinicius ter acesso “exclusivo” a uma favela do Rio de Janeiro. Este parece ser o mais grave, mas é só mais um dos tristes episódios que permeiam a trama da indicação. Como diz o dito popular, tudo o que começa mal, acaba mal.
Brasil não era a primeira opção para o Ministério. Temer queria o deputado Pedro Fernandes (PTB-MA). Mas Fernandes é opositor da família Sarney no Maranhão. Logo, foi barrado pelo patriarca do clã, José Sarney (MDB-MA). O presidente, então, foi ao presidente do PTB, Roberto Jefferson - o delator do Mensalão. O partido é “dono” do Ministério do Trabalho. Jefferson, então, indicou a própria filha. Temer acatou. Esses dois absurdos - o do presidente aceitar o “não” de Sarney e o “sim” de Jefferson - seriam apenas os primeiros.
Logo que a indicação tomou o noticiário, veio a notícia de que Brasil possui dois processos na Justiça do Trabalho - um encerrado após acordo. Advogados foram à Justiça para barrar que uma pessoa com problemas trabalhistas assumisse o Ministério do Trabalho. Conseguiram um liminar na Justiça Federal, impedindo a posse. Começava, aí, uma batalha jurídica que não se encerrou até hoje. No STJ (Superior Tribunal de Justiça), o governo conseguiu derrubar a liminar. Mas a decisão foi reformada em menos de 24 horas no STF (Supremo Tribunal Federal), pela presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia. Ela, porém, não foi ao mérito da questão. Suspendeu a posse até decidir qual instância tem competência para julgar o caso.
Enquanto a Justiça não julga, a novela ganha novos capítulos. Embarcada em uma lancha, em algum lugar do mar do Rio de Janeiro, a deputada grava um vídeo “emoldurada” por quatro homens sem camisa, aparentemente alcoolizados, para defender sua posse. Os argumentos do discurso são até plausíveis, mas o cenário e a situação dos personagens beiram a zombaria. Sobre as denúncias que levaram à investigação do Ministério Público, quem veio a público falar foi o pai de Brasil. Jefferson negou as acusações, disse que a filha nem candidata era em 2010, que não vão transformá-la em bandida e que não desistirá da indicação.
O caso de Cristiane Brasil é o retrato da política do Brasil, baseada na troca de apoio por cargos em governos. A estranheza é que Temer logo desistiu de Pedro Fernandes, mas insiste demasiadamente na filha de Jefferson. Faltou ao maranhense um padrinho de peso?
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