Questão de uso


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Dia destes, num programa esportivo de TV que considerava os altos salários recebidos por jogadores, numa frase de contexto, um comentarista opinou: “Não importa que o indivíduo seja rico, o que importa é a origem da sua fortuna”, o que suscita a lembrança de que muita gente, ao considerar as palavras de Jesus sobre a riqueza, no sentido literal, sem atentar para “o espírito da letra”, acha que o Mestre condenou a riqueza, principalmente quando aduziu que “era mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus.” 
 
Para nós, espíritas, a riqueza não é um mal em si mesma, posto que é ela um meio e não um fim. Se o pobre entra mais facilmente no céu, a razão está no fato de ele conduzir-se segundo suas humildes possibilidades, enquanto o rico, quase sempre, se deixa vencer pela tentação de profanar os bons princípios. O que é de se lamentar é o mau uso da riqueza, a par do juízo expendido pelo citado comentarista esportivo. Aquela proveniente do trabalho honesto não é condenável, assim como não o é a que dignifica o homem, garantindo-lhe o trabalho, a subsistência, a educação, a saúde, a moradia, a segurança. 
 
Há, no mundo, inúmeras fundações criadas por milionários que desenvolvem importantes programas humanitários. Impõe-se o entendimento segundo o qual Jesus quis dizer que, induzindo-nos ao egoísmo e aos prazeres mundanos, a fortuna pode impedir que o reino dos céus esteja dentro de nós. Quanto à Sua comparativa alusão ao buraco da agulha, é oportuno lembrar que, segundo alguns exegetas, agulha era, na verdade, o nome de uma pequena abertura nas muralhas, portanto difícil de ser transposta por um camelo. 
 
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
 

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