A oficialização da vitória do crime


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Ministro da Justiça reconhece: sistema de segurança do país está falido
 
‘Este sistema vigente está falido... O crime se nacionalizou. Mais que isso, se transnacionalizou. Então, não é no espaço da unidade da Federação que vamos resolver o problema da grande criminalidade.” A afirmação é do ministro da Defesa, Raul Jungmann, em evento que discutia no Rio de Janeiro a crise na segurança pública no Estado. Ao jogar a toalha, o ministro defende uma mudança no sistema de segurança nacional. Para Jungmann, o contra-ataque aos bandidos tem de ser feito de forma una por todo o país. Afinal, lembrou o ministro, um traficante preso em uma penitenciária de segurança máxima comandou uma guerra na Rocinha, favela do Rio, a 5 mil quilômetros de distância.
 
O Rio de Janeiro vive uma nova onda de confrontos entre bandidos. Chacinas foram registradas no Ceará. Rebeliões em cadeias de Goiás. Bandidos assombram São Paulo. Assaltantes matam duas vítimas em menos de três semanas em Franca. O tráfico de entorpecentes corre solto por todos os cantos do país. E são as drogas o início e o fim desta calamidade vivida por todos os brasileiros. Os barões do tráfico, livres ou presos - de suas mansões transvestidas em barracos de favelas ou de suas celas em penitenciárias de segurança máxima -, cobram, julgam, autorizam guerras, ordenam mortes, comandam o país. Os presídios são seus escritórios.
 
Foi no sistema carcerário que nasceram as grandes organizações criminosas que mantêm um Estado paralelo. PCC, Comando Vermelho, Amigos dos Amigos, Sindicato do Crime, Terceiro Comando, Família do Norte. A cada onda de violência, somos surpreendidos com uma nova gangue. Mas a surpresa está apenas na confirmação do que já sentimos nas ruas, em nossas casas: estamos à mercê da bandidagem.
 
Para o ministro, a Constituição de 1988, ao transferir aos Estados 80% ou mais da responsabilidade pela segurança do país, tirou da nação a possibilidade de armar um plano contra os criminosos. O governo federal só age quando algum Estado o aciona. Mas quando as Forças Nacionais de Segurança, ou mesmo o Exército, vão às ruas, a situação já tomou proporções desastrosas. Fora as dificuldades legais, existem os problemas econômicos: orçamento baixo, contingenciamento de verbas e falta de investimento tornam ainda mais discrepantes os poderes de ação que possuem o Estado e os bandidos - estes alimentados pelo dinheiro do tráfico.
 
A paz nacional depende uma mudança nas leis, que interligue e una as ações contra os bandidos, sejam eles de São Paulo, Rio, Santa Catarina ou Amazonas. A paz nacional depende de um Judiciário capaz de mandar, com maior agilidade, para as cadeias os bandidos que estão nas ruas e de tirar dos presídios quem já cumpriu sua pena. É preciso controlar o sistema penitenciário - hoje nem sabemos quantos presos temos. O Estado precisa tomar em mãos o poder que sempre foi seu, mas que hoje é usurpado pelas grandes gangues que, de dentro das cadeias, controlam nossas vidas.
 

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