Para caracterizar a natureza íntima dos fenômenos sociais concretos, o escritor alemão Karl Marx escreveu O 18 de Brumário de Luís Bonaparte, obra relançada neste mês pela Edipro. Nela são abordadas circunstâncias que antecederam o golpe de Luís Bonaparte, a forma como o déspota manipulou todo Estado e o impacto na sociedade francesa.
Neste ensaio, Marx analisa fatos históricos em que Luís Bonaparte, depois de 50 anos do mesmo feito de seu tio Napoleão Bonaparte, toma o poder da França de forma ilegítima, após ser proibido de se reeleger num segundo mandato pela Constituição e pelo Parlamento. Depois da Revolução de 1848, o chamado Napoleão III conseguiu ser eleito deputado e, logo após, novamente presidente. Em 1852 colocou fim à Segunda República, tornando a França novamente império e ele o imperador.
Marx retoma Hegel ao afirmar que a história se repete, mas acrescenta: “uma vez como tragédia, e outra como farsa”. E, ainda, relaciona os acontecimentos com as teorias de luta de classes e de revolução operária.
O filósofo demonstra que as revoluções feitas pela burguesia tinham o intuito de alimentar a máquina estatal e oprimir classes. Neste sentido, expõe pela primeira vez a tese de que o proletariado não deve ser protagonista nestas lutas, mas sim pôr um fim a elas.
Escrito durante a ocorrência dos fatos, entre dezembro de 1851 e fevereiro de 1852, sua primeira publicação foi em 1852, com o título Der 18te Brumaire des Louis Napoleon, na estreia da revista alemã Die Revolution.
Juntamente com O capital e O manifesto do Partido Comunista, O 18 de Brumário de Luís Bonaparte forma a base do materialismo histórico dialético, uma das maiores contribuições de Karl Marx às ciências sociais e econômicas. Uma obra indispensável para estudantes de sociologia, história e economia.
Karl Marx (1818-1883) foi filósofo, sociólogo, jornalista e revolucionário. Nascido na Prússia, legou à História obras que contribuíram para as ciências sociais e econômicas, em especial relacionadas ao trabalho e ao modelo de produção capitalista. Estudou nas universidades de Bonn e de Berlim, logo começando uma carreira jornalística em publicações políticas radicais. Em Paris, conheceu Friedrich Engels, que se tornou um grande amigo e seu maior colaborador. Exilado, mudou-se com a família para Londres em 1849 e engajou-se em campanhas de promoção do socialismo, assumindo um papel central na Associação Internacional dos Trabalhadores.
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