O Brasil encerrou 2017 com 1,8 milhão de novos postos de trabalho. Após dois anos fechando vagas por contra da grave crise econômica, o país fechou um período com novos empregos. O número, porém, não é motivo para comemorações. Ele expõe o fenômeno da informalidade - um mal que empobrece o trabalhador e, consequentemente, o governo. Foram fechadas 685 mil vagas de emprego com carteira assinada, no ano passado, em todo o país. Em contrapartida, cresceu em 1,07 milhão o número de brasileiros que trabalham por conta própria e em 598 mil os informais, sem carteira. Em 2017, 1,09 milhão de ocupados deixaram de contribuir com a Previdência Social.
Emprego sem carteira assinada significa menos impostos para o governo. Significa instabilidade presente e futura, desassistência em casos de o trabalhador adoecer, engravidar ou morrer. Significa menores salários. Emprego informal significa menos qualidade de vida ao trabalhador. Os números da Pnad Contínua, que são os dados oficiais do mercado de trabalho do País, divulgados nesta semana pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), mostram que a recessão histórica que abateu o Brasil em 2015 e 2016 ainda reflete em nossas vidas. Patinamos na lama, na tentativa de deixarmos o fundo do poço a que fomos lançados por políticas desastrosas dos últimos governos petistas, liderados por Dilma Rousseff.
O número de desempregados bateu a marca de 12,3 milhões de brasileiros em 2017. A taxa média para o ano foi de 12,7% - em 2016, era 12%. A explicação para o número de desocupados crescer mesmo com a criação de novos postos de trabalho está na metodologia da pesquisa do IBGE. São considerados desempregados os cidadãos que estão à procura de emprego. Isso significa que os jovens que se dedicavam exclusivamente aos estudos, que as donas de casa que voltavam toda sua atenção ao lar e aposentados que gozavam do merecido descanso se viram obrigados pela crise a se lançarem no mercado de trabalho. São mais pessoas em busca de um emprego. Logo, uma taxa de desemprego maior.
Os dados da Pnad Contínua evidenciam o poder do brasileiro de se adaptar. Se não tem um bom emprego, se apega no que está disponível. Ele vai às ruas, cria uma ocupação - vide os vendedores de frutas, verduras e ovos espalhados pelos quatro cantos de Franca. É melhor um emprego ruim que emprego nenhum. A expectativa de economistas é que este cenário se mantenha por algum tempo. O empresariado só deve voltar a contratar quando suas receitas tiverem melhoras consideráveis. Enquanto isso, o trabalhador vai se virando como dá.
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