É cada vez mais dramática a situação das famílias que dependem dos medicamentos fornecidos pela farmácia de alto custo do Governo do Estado em Franca. Os atrasos na entrega dos remédios chegam a meses e o desespero de quem depende do tratamento para sobreviver só aumenta. As explicações - ou desculpas - são sempre as mesmas: problemas com o laboratório fornecedor, atraso na licitação... Quase sempre a burocracia é usada para justificar a incompetência dos órgãos responsáveis por garantir à população o acesso a seus direitos.
Há 15 dias, o Comércio relatou o drama do pequeno Vinícius, de 10 anos, portador de diabetes tipo 1; da dona de casa Renata Gonçalves, 43, que possui problema de imunidade; e de um terceiro morador de Franca, que preferiu não se identificar, portador de doença respiratória. Os três sofrem a angústia causada pelos atrasos na entrega dos medicamentos. Assim como eles, dezenas de outros francanos procuram os veículos do GCN - portal, rádio Difusora e este jornal - em busca de auxílio para tentar solucionar o problema. São pacientes de doenças crônicas e transplantados, em sua maioria, que dependem dos medicamentos para levarem uma vida relativamente normal. “Estamos sem medicamentos há dois meses. Se assim continuar, nós, transplantados, vamos perder o transplante”, se desespera um paciente em mensagem enviada ao GCN, ontem.
As respostas, via de regra, são as mesmas. A última da secretaria Estadual da Saúde, no último dia 17, foi que - entre explicações e promessas de solução dos problemas - “alguns fatores, alheios ao planejamento da pasta, podem ocasionar desabastecimentos temporários, como aumento inesperado de demanda (acima da margem de segurança prevista), atraso por parte do fornecedor, logística de distribuição do Ministério da Saúde, pregões ‘vazios’ (quando nenhuma empresa oferta o medicamento) ou pregões ‘fracassados’ (quando as empresas estabelecem preços acima da média de mercado, o que inviabiliza legalmente a aquisição)”.
Imprevistos acontecem. A burocracia trava o governo. Mas, quando se trata de saúde, não há meio termo. É necessária uma solução imediata. Os pacientes que dependem dos medicamentos fornecidos pelo governo, mais que explicações e promessas, precisam manter seu tratamento. Precisam de uma gestão pública eficiente que anteveja problemas e poupe vidas.
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