Numa dessas manhãs de domingo, quando costumo sair para uma gostosa e descontraída caminhada pelas ruas, vi uma cena que merecia uma pintura. Lamentei não estar com meu celular para um registro, uma vez que prefiro caminhar sem me preocupar com ligações. Apenas parei para observar. Junto a uma banca de jornais naquela pracinha da Presidente Vargas, pouco depois da Av. Brasil, deparei com um pobre homem deitado no chão, debaixo de um cobertor ralinho, e junto dele o seu cachorro, como que velando o sono de seu dono. Aquilo era a mostra de como o cão é fiel ao dono, mesmo que seja para comer apenas algumas migalhas do pouco alimento que podem dividir. Ele sabe agradecer o pedaço de pão que alguém lhe oferece e, desprovido de qualquer ingratidão, passa a seguir fielmente o seu benfeitor. Eu costumava passar em frente a uma residência, onde dois cachorros corriam latindo para defender o espaço. Aquilo me assustava e me incomodava. Resolvi, então, levar todo dia um pedaço de pão para cada um deles. No começo parecia que ainda olhavam com certa desconfiança, mas depois de alguns dias, sempre repetindo o agrado, em vez do latido ameaçador, eles me reconheciam, abanavam o rabo, e parecia sorrirem quando eu me aproximava. Sem emitir uma só palavra, eles conseguem transmitir mensagens de amizade muito mais sinceras do que longos discursos ou poemas. A propósito, Charles Chaplin dizia que “amizade é tudo aquilo que demonstramos mesmo em silêncio, pois, os melhores amigos são aqueles que até no silêncio nos fazem felizes”!
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