O PSDB e o vice de Alckmin


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As eleições de outubro podem acabar com a ‘dinastia tucana’ em São Paulo

Era 1994. Quem nasceu naquele ano, agora em 2018, tem ou completa 24 anos. Esse é o tempo que nós, população do Estado de São Paulo, somos governados pelos tucanos. São seis mandatos do PSDB no seu “reino paulista”. Reino, porque dominam o processo eleitoral. Reino, porque nenhum outro partido ou candidato fez sombra a eles.  Mário Covas deu início a esse fenômeno eleitoral. Ele se reelegeu, morreu. O vice assumiu. O vice era Geraldo Alckmin, nosso atual governador. E é seu vice, Marcio França (PSB), que coloca em risco a dinastia tucana.
 
A “locomotiva do Brasil” nunca se rendeu a modismo, sempre prezou pelo conservadorismo. Pelo menos quando se fala em eleições estaduais. No final da ditadura, ainda com governadores escolhidos pelo colégio eleitoral, o Estado de São Paulo teve à frente Paulo Maluf e seu vice José Maria Marin. Maluf renunciou. Marin assumiu. Era 1982. As história dos dois se reencontrou em dezembro passado, quando ambos foram parar atrás das grades. O primeiro, por falcatruas à frente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol). O segundo, por falcatruas à frente da Prefeitura da capital do Estado. As condenações vieram agora, mas a desconfiança é de sempre.
 
Exterminada a Ditadura, os paulistas se voltaram ao MDB, o partido de oposição aos militares. Franco Montoro foi eleito. Sucedido pelo nosso vizinho Orestes Quércia, que elegeu seu vice Luiz Antônio Fleury. O mesmo da rebelião do Carandiru - a brecha dos tucanos. Covas derrotou o domínio peemebista e assumiu SP, dando início à dinastia tucana. Governou de 1995 a 1999, foi reeleito. Morreu em 2001. Assumiu o vice, Geraldo Alckmin. Eleito, de fato, em 2002. Deu uns meses como governador, em 2006, ao vice Cláudio Lembro, para concorrer com Luís Inácio Lula da Silva (PT), que disputava a reeleição, a presidência da República. Perdeu. Mas o partido garantiria o governo paulista com José Serra. Este também renunciou e deixou o vice Alberto Goldman (agora na CBF) governar por alguns meses. Serra tentou a presidência da República contra a pupila de Lula, Dilma Rousseff (PT). Perdeu. Aí, veio Aécio Neves - para ridicularizar tucanos e brasileiros - tirando os tucanos paulistas da disputa da presidência.
 
Chegamos a 2018. Novas eleições acontecem em oito meses. O cenário no Estado de São Paulo é de um vácuo tucano. O vice de Alckmin ganha força mesmo dentro do PSDB. Serra, agora senador e com um mandato de oito anos garantido, diz que não disputará eleições neste ano. Assim, “serristas” foram a França. Os tucanos têm João Doria - o fenômeno das eleições municipais de 2016 que viu sua popularidade despencar já no primeiro ano de governo. Quer ser governador. 
 
As dúvidas são duas. Doria, o antipolítico, tem fôlego para mais uma campanha eleitoral? Doria conseguirá vencer a maldição - ou bendição - da história dos vices no Estado de São Paulo? Quem responde, somos nós, eleitores.

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