Quando Jesus silenciou ante a pergunta de Pilatos “O que é a Verdade?”, não foi porque não sabia a resposta. Governador espiritual do planeta, oriundo das regiões celestes, na qualidade de emissário justo, destinado a não destruir as Leis, mas dar-lhes cumprimento, é evidente que a ciência da Verdade Única e Eterna Ele a tinha de cátedra.
Contudo, grave problema se interpunha aos dois representantes de mundos tão antagônicos, um, das luzes celestiais, outro, das trevas da ignorância: a indisposição para a inteligibilidade. Como poderia o Plano formal entender o Plano espiritual na discussão da essência divina a que chamamos Verdade?
O silêncio foi a solução conveniente (e momentânea) aplicada por Jesus para não ofuscar Seu irmão menor. Demais, a atitude do divino acusado se revestia de outra grande razão, qual a da proposição a que Pilatos refletisse sobre o que lhe transcendia o poder.
Decorridos mais de dois mil anos, ainda estamos longe de perceber o absoluto das leis de justiça e sabedoria que regem o Universo. A Grande Verdade, diante da qual nos devemos prostrar com a humilde certeza de que, se a estupidez humana impede-nos de entender como vivem os puros espíritos, por ausência de termos de identidade comparativa, impor-se-nos o entendimento da Verdade seria como se tentássemos explicar a um sapo o que é a física quântica.
Todavia, no Universo não existe segredo, nem mistério. Um dia daremos ouvidos à recomendação de Jesus no ‘Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará.’
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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